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Libro Rubén Cedeño

Vipassana



RUBÉN CEDEÑO


VIPÁSSANA
NOBRE CAMINHO DO DHARMA

Primeira Ediçao
Asunçao - Paraguai
2009


Autor
RUBÉN CEDEÑO



Titulo do livro:
VIPÁSSANA

NOBRE CAMINHO DO DHARMA


ISBN: 978-99953-829-4-0

Traducção

Virginia Damario

Publicado de la

Editorial Señora Guaraní
Casilla de Correo 778
Asunçao - Paraguai

PRIMEIRA EDIÇÃO
2009



Com depósito legal





NOTA EDITORIAL: Os editores de este livro cumprem com A “Lei do Direito de Autor” e pagam o que lhe corresponde a seu escritor, porque sabem que não cumprir isto é crime perseguido pela justiça de qualquer país, e que por Lei de Causa e Efeito se devolve da maneira mais indesejável a seu transgressor, embora não acredite nas Leis Divinas ou lhe faça caso omisso a este nota.




INDICE

1.Vipássana...................................................7
2.Grandes Práticas Vipássana.................10
3.Mente de Cristal.....................................11
Observar a contaminação.........................12
Razões.........................................................13
4.Origem do Vipássana..............................13
Presente e Presença.................................14
5.Vipássana Natural....................................15
Ver o que somos.........................................16
6.Conhece-te a ti mesmo ..........................16
Imposição de Ideias....................................18
Desconhecimento próprio.........................19
Como é o autoconhecimento.....................20
Aceitação.......................................................20
Relação..........................................................20
Valentia para conhece-nos..........................21
Simplicidade..................................................22
Observando o temor;...................................22
Sem juízos......................................................22
7.Gautama e Vipássana.................................23
Mara.................................................................25
Raio Dourado..................................................27
8.Virtudes do Vipássana................................27
Samskâras.......................................................28
9.Prática do Vipássana ..................................29
Meditação Vipássana......................................30
Passos do Vipássana......................................30
Postura.............................................................31
"Santo Alento".................................................31
Consciência da Respiração;..........................32
Observando a Mente;.....................................34
Anicca................................................................36
Meditação Presente;...................................... 37
Resultado..........................................................38
Desaparição do eu pessoal.............................38
Consequências.................................................40
10.Vipássana do Senhor do Mundo................42
Pensamento-Forma do Vipássana;..................43
Cristo e Vipássana;............................................43
Vipássana pela Causa e Efeito.........................44

11.Conversa do Senhor Gautama sobre

o Vipássana.........................................................45
Contemplação do Corpo;..................................45
Posições do Corpo;...........................................46
Atenção com Clara Compreensão;..................46
Reflexão sobre a Repugnância do Corpo,.... 47
Reflexão sobre os Elementos Materiais;.......48
Nove Contemplações do Cemitério;..............48
Contemplação das Sensações........................49
Contemplação da Consciência........................50
Contemplação dos Objetos Mentais..............51
Cinco Agregados do Apego.............................52
Seis Esferas Internas e
Externas dos Sentidos;....................................53
Sete Fatores da Iluminação;............................53
Quatro Nobres Verdades................................54
12.Estejamos Felizes.......................................55
Dez dias de Vipássana....................................59
Vipássana de um ex-aluno.............................65


1
VIPÁSSANA

Vipássana é observar a realidade das coisas sem emoções, pensamentos nem qualificações, sejam estas positivas ou negativas; é a vivência plena da auto-observação direita da realidade que há em nós e nos rodeia. Alem de observar a realidade, é prestar atenção a como nos sentimos perante ela, seja agradável ou desagradável, e não reagir, mantermos imparciais. É ver as coisas com a “Mente de Cristal” – sem a “mente contaminada”–, na forma corrente como são, não como parecem ser, como as imaginamos, cremos ou nos disseram. É penetrar através da aparência das coisas até chegar à verdade última do assunto. É “ver com claridade”, desperto e consciente. É vivenciar a realidade dos assuntos em silêncio, sem pensar, sem conceitos, sem ideias pré-concebidas, sem comentar, sem nada, pura e simplesmente observando sem qualificar. “Vipássana” é a forma de observar sem explicar nada, porque quando não temos a “mente contaminada” podemos perceber como as coisas se explicam por si mesmas. Isto implica uma forma de viver, já que ao fazê-lo, aceitando as coisas pelo que são, e deixando-as ser de acordo à realidade, então poderemos nos libertar do ilusório, da maia, do que nos prejudica e causa sofrimento.
“Vipássana” é a maneira de ver as coisas corretamente e a liberdade de ser, de maneira tal que não sejamos influenciados por situações externas nem internas, seja um Guru, mestre ou facilitador, autoridade familiar, política, social ou de outra índole, senão que estejamos olhando, observando e entendendo por nós mesmos sem autoridade. Com o “Vipássana” compreendemos as coisas tal como são e entendemos as pessoas tal como são. Portanto, não impomos nossas ideias, conceitos, preconceitos e qualificações sobre nada. Se temos conceitos, ideias, definições, nós vemos as coisas e as pessoas de acordo com isso que são a “criação humana imperfeita”, em lugar de vê-las tal como elas são.
O “Vipássana” faz desaparecer a ignorância, a cegueira sobre as coisas, a autoridade externa e interna, as crenças, as imagens, os conceitos, os condicionamentos, opiniões e ideias, já que estas nos influenciam e bloqueiam, impedindo-nos de ver com claridade o que é a Iluminação. Com o “Vipássana” deixamos de atuar e reagir cegamente, inconscientemente; começamos a limpar a mente da contaminação de imagens e negatividades. Desta forma vamos nos liberando da má vontade, da ignorância, do ódio, das depressões, doenças, mentiras, agressividade e rancor.
Todos nós queremos e buscamos a fé, o saber, amar, sair da mediocridade, a cura, ter paz e perdão, porque vivemos sofrendo no temor, na ignorância, no ódio, na depressão, na mentira, na doença, na agressividade e no rancor; e pelo “Principio de Vibração” irradiamos isto aos demais, impregnando os elétrons dos lugares e a aura das pessoas, desarmonizando-os. Este não é o “Plano Divino de Perfeição” que viemos realizar na Terra. Mas para poder nos liberarmos das aparências negativas que nos causam sofrimento, é preciso que conheçamos a origem do sofrimento, ir à raiz e resolver o assunto na base, extirpá-lo em sua origem, transmutá-lo.
Mas até que não se observe internamente, continuamente, e não se chegue à causa que gera o negativo que nos faz sofrer, isso estará ali; mesmo que acredite dissolvê-lo com decretos, atitudes mentais ou com as Chamas, voltará a gerá-lo e assim continuará “ad infinitum” (até o infinito); por isso se diz que a Metafísica ou o que aprende no seu caminho espiritual não funciona.
Escapar, evadir, colocar paninhos quentes às situações negativas, não soluciona nada; temos que nos conscientizarmos quando elas surgem, observando-as. Ao fazer isto, a negatividade sozinha, por si mesma, começa perder força e, pouco a pouco, vai se transmutando até dissolver a fundo. Isto parece mentira que aconteça de maneira tão fácil, mas não temos que apenas acreditar, temos que colocar em prática e convencermos-nos que funciona.
O objetivo do “Vipássana” é perceber a realidade, e nada mais real que nossos pensamentos e as sensações do corpo, a alegria e a tristeza, a saciedade e a fome, a satisfação e a frustração. Temos que observar como tudo isso vai e vem, aparece e desaparece. Temos que percebê-los, observar-los, sem contaminação da mente.
O “Vipássana” se aplica a tudo o que podemos contatar, seja interno ou externo; entre outras coisas, os assuntos mundanos e não permanentes, o sofrimento, a personalidade, as aversões, as sensações, a decadência, o que se desaparece, a mudanças das coisas, a incondicionalidade, os desejos, os fenômenos, a realidade, a miséria ou a irreflexão.
A Consciência de nossa “realidade” só é possível descobrir através da observação do Vipássana; mas temos que nos entregar, observar com plenitude. Não pode ter distração, porque então seguiríamos o mesmo jogo de sempre, em que a mente está desatenta, dando voltas em montes de assuntos, e por isso nunca chegamos a nada; andamos procurando alguém que solucione nossos problemas, aplicamos o Ensino e não obtemos resultados. O princípio é “conhecer-se, conscientizar-se de si mesmo”; isso é o que propõe o “Vipássana”. Somente observando-se chega ao autoconhecimento, e com ele se produz a Realização, a Iluminação.
“Vipássana” é examinar-se atentamente; é a comprobação, verificação, aperceber-se de algo, dar-se conta de um fato, do que se sucede, vendo-o realmente, sem agregar-lhe a fantasia da “mente contaminada”; sem os conceitos religiosos, políticos, sociais ou morais; sem imagens. Somente pela observação poderemos aperceber-nos da REALIDADE, o SER, o EXISTIR, a VIDA, a SANTIDADE, a ENERGÍA e a LUZ.
A primeira coisa a fazer em tudo é observar, e isto precisamente tem que ser feito em silêncio, explorando, ouvindo, sentindo, vendo, saboreando e cheirando conscientemente em atitude de alerta, sem chegar a nenhuma conclusão, sem definir, concluir, determinar ou deixar de lado.
Vipássana é a essência de todas as filosofias e caminhos espirituais, a suma da espiritualidade, que vai além de qualquer pensamento, emoção subjetiva, do ser humano e mestre. O mais sensato que existe. É uma das atividades mais importantes, objetivas, determinantes para que possa ativar-se tudo o que se aprende em qualquer Caminho Espiritual verdadeiro.

2
GRANDES PRÁTICAS VIPÁSSANA

O Senhor Gautama, antes de iluminar-se, passou quarenta dias e quarenta noites meditando, em silêncio, imóvel debaixo da árvore Boddhi. Ele Mesmo sustenta o mundo com todas suas evoluções em uma ininterrupta meditação. Quando Maria escolheu ser a mãe do Mestre Jesus, em seu treinamento prévio, o Senhor Maitreya colocou , uma réplica do Sol no meio das sobrancelhas para que se concentrasse nela, e lhe enviou terremotos, tsunamis, vendavais e demais perturbações para ver se Ela se desconcentraria, mas não o fez. Quando o Mestre Jesus foi crucificado, Maria passou três horas concentrada segurando-lhe o “Conceito Imaculado” a seu filho no Calvário; enquanto pessoas gritavam, insultavam e vociferavam, não se distraiu; continuou sustentando, concentrada, o “Conceito Imaculado”, e isto foi o que fez ressuscitar Jesus. O grande treinamento que lhe dá a Mãe Maria aos elementais é segurar mediante sua concentração o “Padrão-Forma” das flores sem distrair-se. Saint Germain, quando encarnou como Francis Bacon, finalizou seus dias em uma ilha solitária meditando em absoluto silêncio. O Mestre Serapis Bey, quando recebe a seus discípulos no Retiro de Luxor, os coloca a meditar em celas individuais, incomunicáveis, para que vejam seus próprios defeitos e assim se aperfeiçoarem. No Julgamento do Retiro de Luxor o Mestre Serapis Bey exige o seguinte: “Me levantarei às 5 da manhã todos os dias, e depois de limpar meu corpo, passarei uma hora em respiração profunda e contemplação, e uma hora em oração pelo mundo e sua gente, antes de tomar algo de alimento físico”. Tudo isto é Vipássana.

3
MENTE DE CRISTAL

Uma “Mente de Cristal” é pura, sem mácula, não faz juízos nem condenações, também não possui esquemas, carece de conceitos, pontos de vista e opiniões, não está condicionada, não é influenciável, só percebe a verdade do que são as coisas de acordo com sua real natureza, sem a etiqueta que lhe possam pôr os sentidos ou a mesma mente. É uma mente com discernimento, inteligente, criativa, intuitiva, desperta, alerta, que tem perdido a capacidade de reagir agressivamente ante o ódio. Uma Mente de Cristal tem a capacidade de ver o que não tem permanência, o que não é substancial e insatisfatório com as coisas, e no se apega, no se deixa enganar nem fica ligado a elas. Uma mente assim não tem “eu pessoal” nem orgulho, não se posiciona de nada, não gera sofrimentos para ninguém e nem para si mesmo. É possível possuir uma “Mente de Cristal”, desintoxicando, desinfetando, descontaminando a mente. Todo Iluminado possui uma “Mente de Cristal”. A maioria de nós, ao nascer, tem uma “Mente de Cristal”, mas nos vão colocando ideias sobre as coisas e conceitos, contaminando-nos com gravações de doenças, prejulgamentos sociais e sexuais, temores religiosos; enchendo-nos de temores, ódio, carências, orgulho, má vontade, complexos; e ensinar incapacidades com frases como “não posso”, “não sou capaz” e quantidade de cristalizações alem dessas. É importante, de tempos em tempos, repassar o que é uma “Mente de Cristal” e uma “mente contaminada” para observar quanto de contaminação temos e quanto temos cristalizado nossa mente. O conceito de pecado é produto de uma mente contaminada, uma ideia que o ser humano tem inventado e tem imposto a ele mesmo para controlar e governar a seu capricho aos demais seres humanos, atribuindo isto à vontade de Deus, a um livro sagrado ou ao dizer de um mestre, afirmando que Deus, o livro sagrado ou o mestre “diz que isto é pecado e este outro não o é”. O que para uma cultura, época, religião, país ou sociedade é pecado, para outra não é.

OBSERVAR A CONTAMINAÇÃO

A negatividade invade quando menos esperamos, sem nos darmos conta, e, envolvidos por ela, agimos, prejudicando a nós mesmos e aos demais; isto nos produz angústias, lágrimas e tormentos. Isto acontece porque não nos observamos e atuamos inconscientemente. Ainda que usemos os Raios ensinados na Metafísica, se não formos à raiz de nossa inconsciência, cada vez que nos encontrarmos em uma situação semelhante voltaremos a reagir negativamente, porque a causa está na falta de “Vipássana” ou Observação consciente. Se não tem Vipássana, não tem verdadeira Transmutação.

RAZÕES

Quando nos darmos conta do mau em que andamos, vivemos e fazemos, já não o executamos mais. Assim, a chave para um mundo de Boa Vontade, Sábio, Amoroso, Belo, Saudável, Pacífico e Honesto, está no cultivo da “Meditação Vipássana”. “Não se pode dar um passo no Autoconhecimento sem a Meditação”.
A MEDITAÇÃO nos faz conhecermos-nos profundamente, saber o porquê de nossos processos mentais, nossas emoções, nossas reações, e isto nos traz por consequência o autocontrole e a mestria, que é o elo entre a inconsciência e a Consciência, a ignorância e a Sabedoria, as sombras e a Luz, o não ser e o Ser. Somente o “VIPÁSSANA” pode dissolver os nossos sofrimentos, aclarar enigmas, resolver os problemas. Se o sofrimento é causado pela ignorância, a Meditação nos desperta à Consciência e, certamente, à Sabedoria, que é a única destruidora do conflito.

4
ORIGEM DO VIPÁSSANA

Originalmente somos cristalinos, puros e luminosos, não temos a “mente contaminada” de conceitos, ideias, prejuízos, negatividades e cristalizações. Mas tem quem se rodeia de impurezas pelas gravações que nos fazem desde pequenos, a religião, a política, a sociedade, a raça, as minorias e as próprias impressões que nós fazemos por meio dos sentidos; assim nos enchemos de conceitos, esquemas, etiquetas e impressões que nos prejudicam, nos fazem infelizes e é a causa da totalidade de nossos sofrimentos. Podemos impedir que isso nos influencie. Esse espaço puro e limpo em nós, não contaminado, se conserva apesar de toda a programação imprópria, e podemos contatá-lo por meio do Vipássana. Pode ter acesso a este espaço em branco do “Corpo Mental Superior” mais facilmente do que muitos dizem; é preciso permitir que a mente se esvazie ou transmute ideias, conceitos, lembranças, traumas e tradições. Isto é possível. Krishnamurti ensinou isto em todas suas conversas, mesmo não pronunciado o nome de “Vipássana”, porque isto não é um nome, um conceito a mais; é uma maneira de viver, chame-se assim ou de outra forma.

PRESENTE E PRESENÇA

“Vipássana” é um estado de Meditação de “Presença” e de “Presente”, onde estamos plenamente conscientes de onde estamos presentes. Às vezes estamos “presentes” em um lugar, uma situação, e não em estado de presença. Isto é, podemos estar presentes na praia, mas pensando em: “casa”, “quem vende os tomates mais baratos”, “tenho um exame amanha” ou “o quê vou dizer ao chefe para faltar ao trabalho?”. Isto quer dizer que o corpo está ali e não estamos conscientes de que estamos no que estamos. Não se pode ter “Presença” quando não se está presente, e para estar “Presente”, “se tem que estar no que se está”. Mas geralmente estamos em um lugar pensando nas ações que vamos fazer depois ou que fizemos no passado. Poucas vezes fazemos Presença total no que estamos. Vivemos no estado de ausência. Poucas vezes, para não dizer nunca, estamos no estado de “Presença”, porque estamos ausentes e afirmamos: “Eu já li todos os livros do Mestre e sei tudo”, mas esse Ensino não está “Presente” de forma vivencial.
Na verdadeira MEDITAÇÃO é imprescindível estar “Presente” onde estamos, com toda a plenitude de nossa consciência, alertas, dando-nos conta com exatidão, com os sentidos totalmente receptivos, sem distrairmos-nos, em estado de observação profunda, escutando a plenitude, sentindo o que tem que sentir, respirando e percebendo a respiração; isto pode suceder em qualquer momento do dia, na situação que seja, como no escritório, ao contemplar um raio de sol pela janela, ao ver uma casa em um povoado, ao entrar em um templo; sentir o silêncio ou o barulho, o aroma do lugar, os tons das cores com a incidência da luz.
Cada pessoa pode tomar um texto de estudos espirituais e ir de palavra em palavra compenetrando-se com o que elas dizem e significam, compreendendo profundamente o que transmitem, detendo-se no conteúdo interno de alguns elementos que sejam chaves para sua compreensão. Uma leitura assim, pode resultar uma MEDITAÇÃO que nos surpreende inesperadamente, sem nos darmos conta. Mas esta magia não existe ou se desbarata quando estamos lendo e alguém nos interrompe para perguntar algo, se ouvimos um barulho repentino ou estamos pensando no que vamos fazer ao deixar de ler. Quando formos ler, leia; quando visualizar, veja; quando observarmos, observe a plenitude, sem fazer mais nada, verdadeiramente, sem começar a fazer outra coisa, isto já é estar em MEDITAÇÃO.

5
VIPÁSSANA NATURAL

Há momentos na vida em que estamos na plena Observação e Consciência, como quando uma mãe tem uma criança que chora e o amamenta, sem questionamentos lhe dá o peito e o amamenta; ali se encontra a totalidade do ser dessa mãe, tem Observação, porque ela olha deleitada com seu bebê mamando, há um imenso amor profundo, há entrega e plenitude; isto é totalmente Vipássana natural. Quando alguém se encontra com seu parceiro, olham-se nos olhos, tocam-se, não há agressividade, tem muitíssimo amor, uma grande Observação; se enxergam completamente, sentem absolutamente cada caricia do corpo, se entregam plenamente e tem plenitude. Nestes atos tem uma Observação muito grande. Mas fazemos isto em escassas ocasiões na vida, não sempre, e em assuntos não muito transcendentes. Na Observação não pode haver distração, porque senão seguiríamos o mesmo jogo de sempre, em que a mente está desatenta, dando voltas, e por isso nunca chegamos a nada e andamos procurando quem solucione nossos problemas, mas finalmente ninguém o faz.

VER O QUE VEMOS

Tratemos de ver o que estamos vendo, seja a casa, a sala de conferências, a foto de um Mestre, a imagem de Gautama, o barulho do mar, a correnteza do rio, as árvores na montanha, a desolação do deserto, nosso mal-estar, alegria, rechaço ou atração, sem interpretações. Não procuremos significados a nada do que vemos, não imaginemos nada do que estamos observando, também pensemos sobre o que olhamos, somente contemplemos as coisas em seus mais mínimos detalhes. Fiquemos-nos tranquilos e nada mais. Pode-se viver constantemente em atitude meditativa. Não só se medita quando se está na postura de PADMASANA, senão quando se caminha pela praia, se passeia pela montanha, se ouve música ou se realiza qualquer atividade.

6
CONHECE-TE A TI MESMO

Conhecer-se, compreender a si mesmo, é a base e objetivo de qualquer procura interna. Enquanto não empreendamos este processo estaremos perdidos na vida, e nenhuma religião, filosofia, explicação ou terapia poderá ajudar-nos a produzir uma transformação profunda, capaz de resolver o sofrimento e os problemas mais preocupantes concernentes a nossa identidade como seres humanos. Por isto, no templo de Apolo em Delfos, Grécia, quando os estudantes de filosofia queriam incorporar-se aos estudos mais profundos relacionados ao Ser, se lhes fazia ler, meditar e realizar uma frase que estava escrita na fronte do templo: “Homem, conhece-te a ti mesmo”. Este é o principio para levar uma vida livre de sofrimentos, traumas, preocupações e complexos. No autoconhecimento que só se adquire pela OBSERVAÇÃO e a MEDITAÇÃO, está a base sobre a qual poderemos transformar-nos e construir tanto nossa própria vida e o futuro quanto o concernente a nossa relação com os demais seres humanos, seja estar em solidão e sem traumas, de casal, familiar, de trabalho e social em geral. O fundamento para tudo o que realizamos como pessoas espirituais ou qualquer outra coisa, está no conhecimento de nós mesmos. Este nos chega quando deixamos de estar perdidos, pensando no que já foi e não é, ou o que será e não existe, e nos colocamos no presente, na realidade; quando observamos cada palavra que dizemos, o movimento de cada um de nossos sentimentos, ocasionado pelo estímulo das circunstâncias; quando nos damos conta de cada pensamento que temos e vemos quê o ocasiona; quando conscientizamos os movimentos de nosso corpo ao responder aos estímulos do mundo exterior; quando vemos como respondemos aos demais, conhecendo profundamente todo nosso condicionamento e porque temos certas crenças de cada uma das coisas que nos rodeiam; e fazemos isto sem criticar-nos nem condenar-nos, vendo o que realmente somos, sem o peso do juízo que a sociedade, a religião e a tradição nos têm imposto.
Pode-se dar a volta a Terra, entrar em diversas escolas de pensamento, na direção de Gurus, guias ou mestres e ler infinidade de livros, sem conseguir deixar de sofrer, porque só a Meditação Vipássana ou a Consciência da Realidade o pode conseguir.
Jamais terminamos de nos conhecer, nunca se pode ter uma conclusão final de quem ou como somos. O processo de autoconhecimento é algo constante que vai descobrindo-se em cada ação que a vida nos oferece, já que somos seres que vamos nos transformando continuamente, ninguém vive estancado solidamente em um só jeito de ser; assim, para nos conhecermos, este tem que ser um processo diário, continuo e infinito de auto-observação. Por isso, a Meditação não é determinante, conclusiva; deve ser diária e sempre fresca, sem vícios, como si fosse a primeira vez que a fazemos.
Ao nos conhecermos por meio da Observação na Meditação, sem fazer esforços, sobrevém a paz interior que aspiramos; desaparecem os complexos e traumas; e deixamos de sermos separatistas, agressivos, insultantes e daninhos. Observamos, sem juízos nem conceitos, nossa forma de ser, pensar e sentir, e aprendamos sobre nossa própria natureza.

IMPOSIÇÃO DE IDEIAS

Á medida que vamos nos conhecendo em silêncio, observando-nos na Meditação, estando alerta a cada reação, sobrevém uma paz que nos inunda, produzindo tranquilidade e sossego. Mas para isto se requer liberdade psicológica, uma “Mente de Cristal”, sem a imposição das ideias de um ou de outro ser fora de nós, já que isto, os conceitos e supostos princípios que os demais tratam de nos impor, são ideias criadas por suas mentes. A tradição, a religião, a escola espiritual e muito disso tem sido criado pelas conveniências sociais, políticas e supostamente religiosas das pessoas. Ao nos livrar de todos os conceitos criados pelas mentes humanas estaremos a caminho de nos conhecer a nós mesmos e isto, inevitavelmente, nos conduz à eliminação do sofrimento, a estar em bem-aventurança, porque não tem maior felicidade que nos conhecermos, nem pior infelicidade que nos ignorarmos.

DESCONHECIMENTO PRÓPRIO

Quando não tem autoconhecimento, estamos inutilizados para ver a realidade, descobrir a VERDADE; não podemos ir além das ideias, os conceitos das escolas espirituais, a autoridade do Guru, as ilusões criadas pela mente, que na maioria das vezes é ideologias políticas, religiosas, sociais ou econômicas, conceitos criados por mentes contaminadas. A base de um claro e reto pensar está no autoconhecimento. Quando a mente começa a conhecer-se a si mesma, começa a se tranquilizar; quanto mais se conhece, mais se pacifica. Todo o contrário sucede quando tem desconhecimento interior: sobrevém a agressão, o insulto e a condenação, que nos levam ao ódio e a fazer que os amigos, a família, o núcleo de trabalho ou os grupos espirituais se dividam e separem. Devido aos conceitos estabelecidos por “mentes contaminadas” da sociedade, a religião ou a tradição, quando nossa forma de ser não coincide com esses conceitos, estupidamente e sem saber por quê, queremos mudar para nos adaptar a esses padrões, começando a viver uma mentira, a atuar como não somos, produzindo em nós um desajuste psíquico que nos prejudica em todo o que temos que fazer na vida. Podemos deixar esse terrível conflito de querer ser o que não somos, já que isto é desconhecimento de nós mesmos e significa entrar na guerra com nossa pessoa, sofrer e ser infelizes. O conhecimento de si mesmo jamais pode ser um processo egocêntrico, já que conhecer-se implica a relação com os demais, e o autoconhecimento possui implícito o conhecimento do conglomerado que o rodeia. Um indivíduo é a humanidade, o mundo, e nos conhecer internamente é conhecer também aos demais. Não podemos conhecer a outra pessoa se estamos no conflito com o que nós mesmos somos.

COMO É O AUTOCONHECIMENTO

Para nos observar e conhecermos não precisamos de nenhum livro, nem pertencermos a nenhuma religião, nem sermos discípulos de nenhum guru. O autoconhecimento é algo contínuo que acontece a cada instante; não é um objetivo que se alcança e já acabou; não. É um processo interminável que requer, de nossa parte, Meditação constante, silêncio verbal e mental, que esta cesse de castigar-se a si mesma, julgando-se por tudo o que faz, diz e atua.

ACEITAÇÃO

Quando nos conhecemos, nos aceitamos como somos e acabamos com conflito de querer ser isto ou o aquilo, nos converter no que não somos, aparentarmos ser sérios quando somos cópias de outras mentes. Quando queremos ser algo que não somos, entramos em conflito com nós mesmos, em um estado de preocupação, trauma e desassossego, nos amargando a existência e prejudicando aos que nos rodeiam, nos transformando em vítimas de nossa amargura por não aceitar o que somos. Quem se conhece a si mesmo não se separa jamais, não divide nem condena, é abrangente e compreensivo diante os problemas de seu filho, irmão, companheiro de trabalho ou companheiro espiritual. A pessoa que se aceita sem julgar-se igualmente aceita aos demais sem julgá-los e isto lhe permite compreender, compartir, unir-se e, claro, amar.

RELAÇÃO

Ao nos observarmos em nossa relação com os demais e ao vermos os motivos que os motivam, nos descobrimos, nos conhecemos e sabemos mais sobre nós mesmos. O autoconhecimento se incrementa ao estudar nossas reações aos estímulos que nos lançam os demais com seus elogios, insultos, críticas, elogios ou calunias. Se não temos estes estímulos com nossas respectivas reações, é impossível que nos conheçamos mais. Por isso é imprescindível a relação no processo do autoconhecimento. Então, ao nos isolar, perdemos a oportunidade do desenvolvimento de nosso conhecimento e sobrevém a morte. Somente ao nos compreendermos existe a possibilidade de nos conhecer, mas para isto não podemos encobrir, disfarçar ou dissimular o que verdadeiramente somos. Quando cada pessoa se relaciona com outras pessoas se descobre a si mesmo, porque cada um de nós é o reflexo externo do que leva dentro. O mundo, o que nos rodeia e nossa relação com os demais é produto de nossa maneira de pensar e sentir, que é consequência de nosso passado, a forma em que fomos educados e os conceitos religiosos, políticos e culturais que gravaram em nossa mente. Assim cremos que o exterior, o mundo, o que nos rodeia, é o que nós mesmos somos. Vivemos projetando para fora o que somos. Si estivermos em conflito, veremos conflito nos demais; si, pelo contrário, estivermos cheios de amor, veremos a todo o mundo completamente amoroso. “O problema que temos com as pessoas, o mundo, o externo, é nosso problema. Si ressorver seu conflito interior, ressorverá seu conflito com o mundo”. Portanto, para conhecer ao mundo e saber como é, basta nos conhecermos. Nós somos a causa de todo o que nos acontece.

VALENTIA PARA NOS CONHECER

Não importa o que sejamos, temos que ser valentes, nos vermos e nos aceitar tal como somos, sem o temor do juízo. Nesta valentia pode estar a chave de todo nosso desenvolvimento saudável e sem conflitos. Não podemos seguir vendo os problemas que nos rodeiam como algo externo. Sejamos valentes e reconheçamos que os problemas que nos rodeiam são ocasionados por nós mesmos, e observando o problema sem juízos, condenações e sem nos preocuparmos, encontraremos a solução dentro do mesmo problema.

SIMPLICIDADE

Quanto mais nos conhecermos, mais simples seremos, tiramos os conflitos, já não teremos desejos de seguir agredindo, brigando nem discutindo. O autoconhecimento nos torna cada vez mais simples, e a simplicidade, por sua vez, nos torna mais sensíveis, pacíficos, compreensivos, amáveis, sorridentes e servidores. Muitas vezes aparentamos ser simples externamente, mais internamente somos complicados com nossos pensamentos, crenças, ideias, conceitos, juízos e mecanismos mentais; a única forma de ser simples é ser internamente livre. Assumir um padrão ideal de como ser supostamente simples, o que faz é complicar-nos mais, embotar-nos e voltar-nos insensíveis.

OBSERVANDO O TEMOR

Quando as situações se afrontam tal como são, sem o qualificativo mental e a reação emocional, o medo desaparece e a situação some. Para compreendermos temos que possuir uma visão integral de nossos pensamentos, sentimentos, ações, reações e todo tipo de conduta, sem qualificarmos-nos dizendo: “Ser assim ou ter esta conduta é mau” ou “é bom”, “melhor” ou “pior”, “talvez pecado” ou “virtude”. Sermos especialistas em algo, juízes ou moralistas limita nossa visão total do que realmente somos. Isto somente se consegue quando nos dedicamos em silêncio a observar nossos pensamentos e sentimentos sem qualificá-los.

SEM JUÍZOS

Para compreender algo, temos que estar em uma atitude totalmente passiva de MEDITAÇÃO VIPÁSSANA, OBSERVAÇÃO SILENCIOSA; isto é, sem questionar, criticar, condenar ou julgar. Somente quando, pelo processo de nos conhecermos, se aquieta a mente e esta não se encontra dominada pelos conceitos religiosos, sexuais, sociais e culturais, senão que se encontra totalmente em calmaria, em silêncio, é possível descobrir “Aquilo”, o Eterno. Para chegar a isto, a mente deve cessar-se, calar-se, deixar de classificar e condenar. Por isso é importante, de tempos em tempos, um retiro em completo silêncio. Para descobrir realmente o que é Eterno, é imprescindível que primeiro nos conheçamos a nós mesmos. Devemos começar a descobrir nossa “Mente de Cristal” e não conceber nem conceituar pela conduta imposta, seja esta política, religiosa, sexual ou cultural.

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GAUTAMA E VIPÁSSANA

O Senhor Gautama, sendo um filho da Terra como qualquer de nós, nunca afirmou ser divino nem ter inspirações divinas, senão que era completamente humano e humanitário, o que fez que alcançasse ter una “Mente de Cristal”. O que praticou foi “Vipássana” na Arvore Boddhi durante os quarenta dias e noites que o conduziram à Iluminação, a conseguir a causa e eliminação do sofrimento; algo que nós também podemos conseguir, não importa quanto incapazes ou longe de um verdadeiro caminho espiritual nos cremos ou nos façam crer. O maior que fez o Senhor Gautama foi ensinar uma forma de ser, de viver. Ele simplesmente ensinava o que como ser humano tinha vivenciado do conhecimento direito que tinha obtido por médio de sua Observação, e induzia a que os demais vivenciaram por si mesmos e tiveram a Sabedoria por vivencia própria, e não por uma autoridade externa. Por isso, o Senhor Gautama não fundou nenhuma religião com rituais nem hierarquias de pessoas; de fato, a palavra “Buddhismo”, como religião, não existe em Oriente, senão “Buddhadharma”, que quer dizer o “Ensino da Iluminação”. O Senhor Gautama o que ensinou foi a observar a natureza, tanto interna como externa, tal como é, sem enganos da mente e os sentidos. Primeiro o vivenciou em Ele e logo o facilitou aos demais.
Existem muitos métodos de Meditação, mas o “Vipássana” praticado e ensinado pelo Senhor Gautama é o mais acertado, por não ser produto da mente de outro, já que no Vipássana não se adquire uma filosofia, não se impõe uma forma de ser; é descobrir o que um é. Por isso o Senhor Gautama é hoje em dia o “Senhor do Mundo”, Diretor da Hierarquia Espiritual de Shamballa, porque com Ele podem estar todas as filosofias, religiões e formas de pensar. Ele deu com a chave da Realização. Com esta forma de Meditação se liberou, porque sua busca, caminho e métodos eram verazes, sinceros e autênticos, despojados de superstições, crenças inventadas e fanatismos. É a Meditação essencial, já que o Senhor Gautama suprimiu todo o não essencial e se ficou só com “observar”. O maior que fez o Senhor Gautama foi observar a consciência humana com atenção, harmonia, silencio e sem condenação, por médio da sua. Observou-se a si mesmo até que se conheceu, e isso lhe permitiu desenvolver sua Observação plena e Consciência.
Logo de que o Senhor Gautama deixou o caminho das austeridades externas, fez o maior: abandonar todas as religiões, grupos espirituais, e decidiu, em vez de buscar a salvação por médio de um Guru, obedecendo a uma doutrina, ou com um livro sagrado, consegui-la através de Ele mesmo. Deu-se conta de que estar obedecendo, acreditando, sem autoconsciência, de nada serve, e determinou acabar com isso por inútil. Decidiu ficar-se quieto nos aos redores da Arvore Boddhi, observando-se em “Meditação Vipássana”, com a resolução de não apartar-se de ali até conseguir o cesse do sofrimento na doença, a velhice, a morte e a vida em geral, que só se encontra por médio da Iluminação.

MARA

Durante os dias de Meditação, as legiões de Mara – ou a inconsciência, o atuar irreflexivamente, que era a mentira dentro de Ele mesmo – o quis enganar, mas não puderam diante o Poder da Luz de Sua Própria Consciência na Observação. A mentira, o que não tem importância, o efêmero, a ilusão – que é personificada e chamada “Mara”–vem tentar ao Senhor Buddha e não pode; Ele a descobre, a delata, a denuncia ante sua própria consciência. Sem luta alguma, o mal e a não permanência não tem poder contra o Iluminado, já que não se pode atrair uma vibração inferior de mentira e obscuridade ao estado de Observação Plena.
No estado de Iluminação que produz o Vipássana, se compreende que o sofrimento não é permanente e, por consequência, se libera dele. A percepção, compreensão e aceitação da Verdade das coisas tal qual são, sem o maia da ilusão, é a chave da liberdade de toda dor.
Querer ajudar à humanidade para solucionar seus sofrimentos trouxe por consequência, que o Senhor Gautama observara onde estava a causa do sofrimento e se iluminara. Um não pode buscar a Iluminação, não pode ir à ela; a Iluminação sempre está com nós e se nos desvela quando começamos observar, a fazer “Vipássana”, e trabalhamos pelos demais.
A Iluminação não é que o Senhor Gautama se sentou debaixo da árvore, se iluminou e se lhe colocou uma aureola dourada, por obra da graça divina. Foi um trabalho de um fato consciente. Ele se conscientizou dos apegos, emoções, pensamentos e, sobre tudo, do “eu pessoal”. Vivenciou todas as coisas de qualquer índole para compreendê-las primeiro e logo poder explicá-las aos demais. Tudo tem que vivenciá-lo, para poder compreender por percepção própria. Nada se faz com crer as coisas e aceita-las porque as expressa um livro ou as tem dito um Guru; tem que vivenciá-las. Para isto é preciso uma mente silenciosa, observadora, em Vipássana, que não julgue.
Durante o primeiro dia de Meditação debaixo da Árvore Boddhi, o Senhor Gautama conscientizou seu passado, ao que se chama simbolicamente ver suas vidas anteriores. O segundo dia compreendeu o Principio de Causa y Efeito, que enuncia: “Toda CAUSA tem seu efeito e todo efeito tem sua CAUSA. Segundo sejam as causas, serão os efeitos; não tem efeito sem causa. Não podemos culpar ninguém do que nos acontece. Nada pode nos fazer dano se nós não temos feito um dano semelhante. Nós somos a causa de tudo o que nos sucede”. Mas é importante nos dar conta de isto e atuar de acordo a isso. Sabê-lo somente, de nada nos serve. O terceiro dia o Senhor Gautama conscientizou e compreendeu os apegos de seu “eu pessoal” e tudo o que ignorava. É importante saber que ao fazer isto a plenitude, o superou.
O Senhor Gautama não se Iluminou somente sentado; ele caminhava ao redor das árvores, fazia suas necessidades, tomava água e esticava as pernas, mas no estado de absoluta Consciência. Ele acostumava caminhar sumamente lento, e quando lhe perguntavam o porquê, dizia: “É parte de minha Meditação, caminhar como se estivera me metendo em um rio de água fria em inverno, divagar, alerta, porque está frio; observando cada um dos passos, porque podes resvalar com as pedras do rio”.

Depois que o Senhor Gautama se clarificou interiormente, se deu conta de que não podia ficar Ele sozinho com que tinha descoberto e procurou a forma de comunicar-lhe o DHARMA aos demais. Ao conseguir uma grande verdade, capaz de ajudar às pessoas, a solucionar o sofrimento da vida, um não pode ficar com isso egoistamente, tem que difundi-lo.

RAIO DOURADO

O Vipássana é uma ação do Raio Dourado da Inteligência, a Sabedoria, a Intuição e o Conhecimento. Assim vemos que a falha de todo, a causa do sofrimento, é a ausência do Raio Dourado; e a solução a todo, ainda seja o uso de virtudes dos demais Raios, está no Raio da Sabedoria.

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VIRTUDES DO VIPÁSSANA

Ao observarmos constantemente, nossa conduta habitual muda; superamos nossas falhas, ódios, maldades, negatividades, mentiras, agressividade e rancor; arrumamos-nos e nos fazemos congruentes, com uma paz interior que se irradia ao exterior. Um corpo emocional e mental equilibrado, com Paz, por Principio de Vibração impregna os elétrons do ambiente de Paz e de Harmonia, assunto que nos penetra demais, beneficiando-nos e bendizendo-nos. Isto nos produz desapego às situações perturbadoras, nos sensibiliza aos sofrimentos dos demais, com Amor Compassivo, ajudando a dissolver as negatividades com a mente e o coração cheios de amor, compaixão e equanimidade.
Devido a nossa ignorância e inconsciência, produto da falta de observação, reagimos constantemente de maneira que prejudicamos aos demais e a nós mesmos; mais quando surge a Sabedoria da Observação da realidade, tal e como do “Vipássana”, já não reagimos inconscientemente e começamos atuar de forma desperta, consciente, genial e inteligentemente equilibrada, de acordo à compreensão da Verdade. Isto nos faz positivos, criativos, sábios, capazes de resolver nossas situações e as dos demais. Isto é “nos conhecer a nós mesmos”, nosso intelecto, suas ideias e teorias, as imagens falsas da realidade, as emoções que albergamos, o que nos gosta ou não. Assim começamos a perceber nas vivencias, o que perseguimos em todas as conversas de Metafísica. Ao praticar Vipássana, ninguém nos pode enganar, porque percebemos a realidade das coisas por nós mesmos; não é preciso e resulta inútil qualquer rito ou culto a líder ou facilitador algum. É vivenciar a realidade sem criações mentais, emoções nem deformação que a destorça; isto é o único que nos libera das negatividades que nos causa o sofrimento.

SAMSKÂRAS

“Samskâras” são ataduras de atração e rechaço acumuladas em esta vida e no passado. As coisas agradáveis nos criam ataduras de apego, e as desagradáveis, de rechaço. Enquanto nos encontramos atados à atração e ao rechaço estamos presos. Entre os benefícios de praticar a Meditação Vipássana, se encontra a limpeza da mente, que elimina os Samskâras. Toda atração e todo rechaço é uma atadura, seja boa ou má, agradável ou desagradável; é uma SAMSKÂRA. Ao observar sem juízo nem apego, livre de conceitos e desapaixonados, qualquer sensação corporal, todo pensamento, se não tiver nenhuma reação e identificação, não se cria nenhum novo samskâra e todos os samskâras velhos começam desaparecer. De esta forma, enquanto se observa em Meditação, com completa atenção, todo o que ocorre – mantendo a harmonia, equanimidade, paz interior e silencio–, se permite que todas as contaminações acumuladas de nossos corpos mental e emocional, saiam à superfície da mente, manifestando-se como sensações, que ao ir conscientizando, gradualmente vão sendo transmutadas.
Ao aprender a observar as sensações sem reagir, julgar e qualificar, a mente começa atuar de forma consciente e deixa de conduzir-se automaticamente, instintivamente, diante os fatos.
Toda a aprendizagem se encerra em aprender a não reagir instintivamente, inconscientemente; a não qualificar; a fazer silencio físico e mental quando aparecem as imagens, as sensações de agrado ou desagrado, atração e rechaço, para não criar novos samskâras.
Se tiver consciência em esse momento, um se para e se limita a observar sem reação, e vê como a sensação desaparece, não tem identificação. Ainda esta Consciência do Vipássana se alcance só por um instante, é algo muito poderoso, porque coloca em marcha um processo inverso ao da criação de karma, a contaminação mental e emocional, que é o real processo de Transmutação e Purificação da Chama Violeta, atuando automaticamente, de forma contundente e efetiva, não por um decreto que não se sabe se vai surtir seu efeito ou não, senão por fatos conscientes. Assim se vai transmutando cada negatividade, cristalização e o hábito de reagir. De esta maneira, a mente permanece sem ondas, em paz.

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PRÁTICA DO VIPÁSSANA

Quando vemos algo, observamos as coisas e de imediato emitimos um juízo a respeito, dizendo: “eu gosto”, “não gosto”, “o desejo”, “o ódio”, nos podemos perguntar: “¿Em realidade o preciso, o ódio, o amo, o desejo? ¿Para quê?”. É então quando nos fazemos conscientes de isso que desejamos, odiamos, queremos ou rechaçamos, e não permitimos que as coisas nos influenciem, porque em realidade escolhemos desde nossa compreensão, necessidade e consciência.
Ao observar algo, como um sentimento, uma atração por algo, um rechaço, tem que deixar que isso que observamos chegue a ser o único objeto do que ocupe a mente. De essa forma, quando olhamos o observado, estamos com isso completamente, a plenitude, e a mente se encontra livre de outras coisas. Em esse momento tem que enfocar a atenção em estar presente em isso no eterno agora. Conscientizemos: “Estou presente aqui, neste momento. Percebo meu silêncio, meu presente. Minha presença se origina desde minha cabeça e vai para fora, e ainda esteja com outras pessoas, não são um obstáculo para meu estado de Presença”.

MEDITAÇÃO VIPÁSSANA

Como o Vipássana é um estado de Meditação, o podemos fazer a cada instante, onde estejamos; mas também podemos escolher um momento para praticá-lo, e para isto é preciso um lugar adequado, que ofereça o isolamento, silêncio e imperturbabilidade precisa. Pode ser em sua casa ou na natureza, frente ao mar, na montanha, o deserto, em um lago ou onde se deseje.

PASSOS DO VIPÁSSANA

A “Meditação vipássana” tem uma sequência –que não precisamente tem que fazer escolasticamente– que se sucede sozinha; mas se vai a uma escola de meditação a aprender, a fazem realizar em uma ordem. Primeiro que nada tem que tomar uma postura, que pode ser sentado em posição de loto ou em uma cadeira. Não tem uma postura mais recomendada que outra. Depois de observar a respiração a Observação deve continuar por todo o corpo, de cima a abaixo e de abaixo à cima; logo a mente, com seus pensamentos, com seu ir e vir, sem julgar-los nem conceituá-los. Depois de observar nossos pensamentos, têm que observar as emoções, sentimentos, estados de animo: quando estamos ansiosos, desesperados, feridos, tristes, furiosos ou felizes. Quando se tem convertido em um observador de seu corpo, de sua mente e de seus sentimentos, então já não pode fazer nada senão que, de repente, se revela o centro mesmo de seu Ser, a Iluminação, que não é um sucesso para-normal, fenomênico nem extra-sensorial. Na medida em que mais vai para dentro, se encontra com espaços internos de consciência insuspeitados, sabedorias inimagináveis, onde não se pede nem se espera nada. Ali cessa o pensamento, é a extinção do “eu pessoal”.

POSTURA

Para meditar, nos podemos pôr na posição de Pralambapadasana ou de Maitreya, sentados em uma cadeira normal, com as mãos juntas no regaço em Dhyâni-Mudra; ou na posição de Amida Buddha, em Padmasana – como no loto –, com as mãos juntas. Podemos fechar os olhos tranquilamente e relaxar todo o corpo, desenrugar a testa, soltar a língua, baixar os ombros, para que não exista tensão em nenhuma parte do corpo, mantendo as costas retas, onde sempre se sinta confortável. Começamos perceber a respiração, como se inala e exala, e como se sente nas fossas nasais. Logo nos damos conta de como temos os dedos. Percebemos como temos as pernas, cruzadas ou apoiadas no chão. Essa postura que temos sem imposição, que não aparece em nenhum livro e não tem ensinado nenhum guru, se converte em este momento em nossa postura de Meditação.

“SANTO ALENTO”

O “Santo Alento” trata sobre a respiração, que é sumamente importante na MEDITAÇÃO, já que sem o ar não poderíamos viver, é o instrumento da Divindade para sustentar nossa vida no veículo físico. Respirar é sinônimo de estar vivos; igual a existir e à consequência de SER. Pelo tanto, estar conscientes de nossa respiração é contatar a vida, o existir, o SER. Meditar estando conscientes da respiração é nos conectar com a TOTALIDADE DA VIDA. Da respiração depende o fluir da VIDA em nós. A respiração é o primeiro objeto de Meditação, porque todos nós respiramos desde o momento de nosso nascimento até que desencarnamos. Pela respiração absorvemos os elétrons que nos rodeiam, tanto de problemas como de situações harmoniosas. Quando surge uma negatividade, a respiração perde seu ritmo normal, respiramos mais forte e rápido.

CONSCIÊNCIA DA RESPIRAÇÃO

A respiração, de maneira natural, sem nenhum esquema imposto, é inalação e exalação. A inalação é o ato de tomar ar, e a exalação, de expulsa-lo. Durante a inalação absorvemos a energia vital e a levamos a todos os órgãos internos de nosso corpo; na exalação, se inunda todo nosso exterior com essa energia.
A respiração e as sensações são os apontadores que nos dizem como vai nossa vida, já que, quando surge uma negatividade, a respiração e as emoções se alteram, e ao suceder isto, podemos começar observar mais detidamente, isso que nos perturba. Começa fazer consciente de sua respiração, mais livremente, sem medir: Inspiração e Exalação. Sente a sensação do ar entrando pelo nariz, seja frio ou quente, contundente ou tênue, e como vai penetrando ao corpo, lhe enchendo integramente, lhe invadindo; sente como o abdômen e o diafragma se estende, como enche de ar como lhe penetra. Ao exalar, presta atenção a como se relaxa o corpo, o abdômen se contrai ou desce e se expande o ar fora de você. Somente se ocupa da respiração, com a atenção completamente enfocada em isso. Não se trata de “pranayama”, um exercício respiratório, senão de um ato de conscientização. Não é controlar a respiração, senão volver-se consciente dela, de como é: inspirando, exalando, dando-se conta se é longa ou curta, fria ou quente, larga ou fina.
Ao observar a respiração e as sensações, estas começam aparecer; ao dar-se conta da negatividade
, em vez de fugir dela, a assume em sua realidade tal qual é, e sem ser vítima dela, lhe diz: “É UMA MENTIRA IMPERMANENTE”. Conhece-se o uso da Chama Violeta, a envolve e desaparecerá para sempre, até o ponto que nem se lembrará da situação negativa, nem sequer de sua dissolução.
Quando não se pratica Vipássana, só olhamos os efeitos do negativo e somos vítimas disso, ignorando e não averiguando a causa interna do negativo. Ao procurar no exterior a causa de nossa negatividade, como não a encontramos e desconhecemos que está dentro de nós, terminamos fazendo culpado a alguém e isto nos impossibilita dissolver o negativo, fazendo que permaneça eternamente. Lembremos sempre que “somos a causa de tudo o que nos sucede”. Se isto é assim, procuremos as causas do que nos sucede dentro de nós para dissolvê-las. Ao ignorar as causas, não se compreende a origem do sofrimento que se encontra em nós, nossas atitudes e reações inconscientes, e assim é impossível dissolve-las.
Deixemos de reagir inconscientemente, sendo vítimas das circunstancias; observemos em silencio e assim deixemos de gerar negatividades, fazendo-as desaparecer; desse modo, a mente começa liberar-se da negatividade, e isto é a presença do Raio Branco da Pureza, que aparece sem invocá-lo, incluso sem conhecê-lo como tal, limpando nossa mente inconsciente e subconsciente, algo imperdivelmente necessário. Uma mente pura está sempre cheia de Boa Vontade, Amor, Beleza, Verdade, Saúde, Paz, Tranquilidade e Amor Compassivo.

OBSERVANDO A MENTE

Tão pronto como tentamos observar a respiração, mil de imagens mentais invadem a mente, como: lembranças, projetos para o futuro, esperanças, medos, desejos e demais coisas que desviam nossa atenção; então, ao cabo de algum tempo, nos damos conta de que nos temos esquecido da respiração. Isto nos faz darmos conta de que a mente, como diz Santa Teresa, é a “louca da casa”, está fora de controle, vai de um pensamento a outro, de um objeto de atenção a outro, afastando-se da realidade. Lembra que Pavarotti não cantou a ópera “Tosca” à primeira vez que abriu a boca para cantar. Não vamos mudar a desordem da mente de toda uma vida, a primeira vez que nos sentemos em “Meditação Vipássana”. Tem que praticar muitas vezes, com inteireza, paciência e calma. Pouco a pouco, vamos despertando a consciência de nossa realidade interior.
Sua mente se vai distrair, mas não lute com ela, não tente colocá-la em branco porque é impossível. Tudo isso é tensão, problemas, conflito, e do que se trata é de fazer desaparecer o conflito. Observa em quê se distrai a mente. Muitas coisas começarão a passar, como que se irá fora do foco de sua atenção, mas segue a mente a onde quiser ir, observa como se desconcentra e como aos poucos volta ao foco de sua atenção centrada. Tudo isto será um processo interessante, não descrito em nenhum livro. Descobrirá coisas dentro de você.
Consciência que está distraído, e assim regressa de novo à respiração. Se aparece uma visão, uma lembrança de algo, Consciência que o está vendo, até que o objeto desapareça, e logo regressa à respiração. Se escutar a alguém falando, a lembrança das palavras de alguém, o que você mesmo diz ou que a mente repete, Consciência que escuta e regressa à respiração. Se começa especular sobre algo, analisar, investigar, julgar, está atento a isso, Conscientizá-lo; igualmente si se vai para o passado ou ao futuro, ao que aconteceu ou pode acontecer, Conscientizá-lo. Se lhe chateia, se entedia o se cansa, Conscientizá-lo e regressa á respiração. Começa a dar-se conta do que está pensando, sejam “as batatas fritas”, “a inflação”, “o vizinho”, e começará se dar conta do que é, o que é sua mente, como inventa, como arruma as coisas a sua conveniência, como pula de um tema a outro e é volúvel, falsa e instável. Tudo isso desaparecerá ao ser conscientizado. Se estiver com raiva, depressão, impotência ou molesto por qualquer motivo, sinta-lo e ponha sua atenção, concentre-se nisso plenamente, não se julgue pensando que é mau senti-lo, não raciocine, e verá que magicamente, em poucos momentos, isso desaparecerá; por isso se lhe diz “aparência”, “maia”, “ilusão”, então não existe, é passageiro. Quando desapareça, regressa á respiração.
Precisamos uma liberação de todo o transfundo histórico, nacionalista, de sentirmos de um país ou de outro; temos que deixar atrás todo passado familiar, religioso, místico, e voar a descobrir por nós mesmos quê é o que tem alem das palavras que se pronunciam sobre as coisas.
Se vai a engolir saliva, observa e sente todo o processo que implica engolir; igualmente se sente coceira em alguma parte, se seu corpo roça com algo, se tem alguma dor, intumescimento, rigidez, calor ou frio; logo regressa sua mente à respiração. Não se identifique com nada de isso. Só obsérvalo. Não diga nada. Assim, a respiração é el objeto principal de Meditação. Não rechace as distrações, as emoções ou as sensações no corpo; observa-as e deixa que desapareçam sozinhas.
A Meditação não é para ter experiências, e muito menos extra-sensoriais. Não tenha expectativas de sentir ou ver algo: um dos Raios, um mestre, uma luz ou o que seja. A Meditação não é para isso. Isso é fenomenologia, e todos os fenômenos são maia; desejá-los seria desejos ou apegos, que são contaminações da mente, impedimentos para o Vipássana. Se esperar ver ou sentir algo para-normal, simplesmente conscientizá-lo e regressa à respiração. Na medida em que a Observação se faz mais intensa, os pensamentos vão diminuindo, a mente se vai tranquilizando. Quando esteja completamente sem ajuizar e sendo só um observador, se haverá convertido em um espelho que reflete em calma a superfície de um lago sumamente tranquilo; um espelho nunca julga, é a Sabedoria Espelhada. Ao observar se converte em um espelho que reflete a Sabedoria Cósmica. Isto é o que se tem exemplificado com a imagem do Buddha Vajrasattwa tocando a Terra por testemunho, com a palma da mão para adentro, em “Bhumisparsa-Mudra”. Simboliza que sua “Sabedoria Espelhada” pode ver-se na Terra, mas que guarda para si, em segredo, a realidade de aquilo que se vê espelhado.
O Vipássana o pode praticar parado ou caminhando lentamente, tomando consciência plena de por onde anda, observando os movimentos de seus pés, mãos, cabeça e o que lhe rodeia. Se para ou gira, dá conta de isso. É observar as sensações do corpo em vez de julgá-las ou condená-las. Esta prática do Vipássana em diferentes posturas tem sido refletida nas diversas posturas das estatuas dos buddhas. Tem buddhas em posição de loto, sentados em cadeiras ocidentais, de pé, caminhando e deitados, dando-nos a entender que em todas essas posturas se pode fazer “Meditação Vipássana” e se pode chegar à Iluminação.

ANICCA

Tudo o que tem principio tem fim e é irreal, não permanente, ilusório, não tem que apegar-se a isso. Temos que dizer: “Isto também passará”, assim como há passado tudo. É ignorância, uma loucura, apegar-se ao transitório, fazer planos para o futuro, construir ilusões sobre isso, depositar nossa confiança, entregar responsabilidades, acreditar que é para sempre. Isso é “Anicca”, não permanência. Em Vipássana, cada sensação que surge, aversão ou apego, se chama “Anicca”, carece de importância, então se olha e se observa sem gerar rechaço ou simpatia, esperando que desapareça. Assim fazemos com as moléstias físicas que aparecem durante a Meditação, as contrariedades que nos produzem as pessoas ou as circunstancias da vida. Tudo é Anicca.

MEDITAÇÃO PRESENTE

Na verdadeira MEDITAÇÃO é imprescindível estar “Presentes” onde estamos, com toda a plenitude de nossa consciência, alertas, nos dando conta com exatidão, com os sentidos totalmente receptivos, sem distrairmos, em estado de Observação profunda, escutando a plenitude, sentindo o que tem que sentir, respirando e percebendo a respiração, sentindo o silêncio ou o barulho, o cheiro do lugar. Na MEDITAÇÃO tem ausência do tempo, porque não tem medição; pode ser larga ou curta, já que não deve perder a consciência entrando em divagações mentais. Se nós medirmos o tempo, ocupando-nos das horas que estamos em Meditação, em vez de estar meditando, nos transformamos em um relógio, e os relógios não meditam. Ao meditar, a medição do tempo há de desaparecer. A solidão é precisa para a Meditação.
A MEDITAÇÃO é criativa; sempre resulta original, nova, sem estruturas, livre de esquemas. Uma mente esquematizada não pode entrar em Meditação. Só se entra em Meditação quando se é livre, dês-programado, capaz de enxergar onde ninguém tem enxergado; imaginar o inimaginável, descobrir o que ninguém tem descoberto. Quando verdadeiramente se medita, se está liberado de todo esquema, por isso é imprescindível observar atentamente o que sucede em nossa mente e sentimentos.

RESULTADO

Quando cessa a identificação com o corpo, acabam as emoções diversas que se atravessam; quando cessa a mente e nos introduzimos a observar nosso próprio Ser, é possível que aquilo chamado Consciência Crística não seja mais um conceito, nem algo que aprendemos em uma aula, senão que estamos percebendo-a, vivendo realmente. Pouco a pouco começaremos ver, perceber, sentir isso que realmente SOMOS, sem imaginar nada, nem sequer uma luz, nem que estamos rodeados de Luz ou que aparece um Mestre e faz algo por nós. Isso pode ser uma visualização, uma imaginação, mas não é a percepção da nossa realidade interior. Para chegar a isto, a mente sozinha, sem nenhum esforço nosso, terá que estar em silêncio, sem imaginações, inventos de nenhuma classe e sem fazermos acreditar coisas. “Vipássana” é a desaparição da mente conceituada, cheia de ideias, de conceitos e do passado. Não é saber o que é o amor; é amar. Não é saber o que é o “Eu Sou”, senão “SER”, viver ativamente. Não é abençoar o Cristo, senão estar desperto.
A MEDITAÇÃO VIPÁSSANA é a ponte de união que liberta a inconsciência na consciência, o falso no verdadeiro, a mentira das ilusões da personalidade no real Ser.
Podemos chegar a viver em estado meditativo todo o tempo, quando estamos conscientes do sofrimento, sua causa, cessação e o caminho de sua desaparição na Clara Compreensão, Reto Pensar, Correta Palavra, Boa Ação, Retos Médios de Vida, Esforço, Atenção e, certamente, Meditação.

DESAPARIÇÃO DO EU PESSOAL

O último passo no processo de Meditação é a desaparição do “eu pessoal”, que conceitua, explica, dá razões; que faz destacar “o meu”, “minha opinião”, o que é “para mim”, “o que eu penso”, “a ilusão do que vou fazer”. Não temos que fazer nada para que o “eu pessoal” cheio de limitações, engano, agressividade, inveja, briga ou rancor desapareça. Se fizer, se reafirmará, já que com nosso pensamento o reforçaremos; mas se é ignorado, não damos atenção nem o sentimos, ele só desaparecerá. Em Vipássana, a personalidade se une ao nosso Ser Interno, se realiza a plenitude da Presença “Eu Sou”; o ser pessoal e o Eu Superior já não são dois entes separados, senão um só. Quando entrar em Samadhi, somos nossa Presença “Eu Sou”.
“A Meditação é um estado de silêncio interno, no que todos os sons são audíveis; todas as ciências, sabidas; todos os amores, amados; todos os perdões, outorgados; todos os fornecimentos, fornecidos; todos os poderes, exercidos; e todas as belezas, contempladas”. Mas isto é algo tão grande, que só o silêncio e a Observação podem consegui-lo.
Na MEDITAÇÃO ABSOLUTA, quem medita, a meditação e o meditado voltam-se um só; não tem diferença entre quem medita, o que se medita e a meditação. Quem medita no Amor, a meditação no Amor e o Amor são um e se manifestam como Amor ativo, expressando-se no meditador. Isto é porque transcende sua pessoa e se unifica com o objeto de meditação e com aquilo em que se medita. O “Eu pessoal” desaparece e nos transformamos naquela condição em que se medita. Se meditar na Pureza, somos Pureza; se meditar na Paz, é a Paz; se meditar na Provisão, é uma fonte ilimitada de Riqueza.
MEDITANDO, podemos contatar a radiação pura do GRANDE, GRANDE, GRANDE SILÊNCIO, introduzindo-nos dentro do sentir: “EU SOU A INMUTABILIDADE ETERNA DA EXISTÊNCIA PURA IMPERTURBÁVEL”. O desconhecido somente se pode perceber quando desaparece a pessoa que observa com todo seu conflito e acumulação do passado, ressaibos e programações.
Vejamos como todo este mundo de luta e ilusão não tem consistência real e se dissolve, levando-o á vacuidade da não-qualificação. Dirijamos todos nossos sentidos ao VAZIO; sintamos como somos abarcados por Ele, e assim chegarmos à Vacuidade e desaparição deste “eu pessoal” que se deve juntar no Sino Insondável do Vazio. Vejamos como o VAZIO vai inundando o plano físico, o sentido do olfato desaparece na Luz; igualmente o mundo das emoções, dos animais e o sentido do gosto; o plano dos pensamentos, os depredadores mentais, o sentido do tato e toda a Roda da Vida. Tudo o existente desaparece dentro da Vacuidade. Tudo é absorvido pela Imutabilidade Eterna da Existência Pura Imperturbável, no Sino Insondável da Inqualificável Vacuidade.

CONSEQUÊNCIAS

Quando nos fazemos Vipássana, percebemos a pressa das pessoas nas ruas, a vontade de triunfar, de ter a razão, de ser mais importantes, e todo isto sem sentido, inútil, como uma loucura. Assombrará-nos a transformação que veremos imediatamente, à semana, e, maiormente ao mês de efetuar esta prática. Notaremos que tudo que nos irritava, preocupava, nos fazia sofrer, se desfaz; aquilo do que não compreendíamos, começamos percebê-lo; desaparecem os enganos, as culpas a terceiros. Veremos qual harmonia e beleza vamos a sentir. Esta prática faz fluir mais saúde, prosperidade, muita paz e gozo espiritual. Isto não quer dizer que não venham problemas e situações que nos perturbem, mas não durarão, se transmutarão. Consideraremos que as coisas que temos alcançado até agora não tem muito valor, e geralmente logo ignoraremos; mas começaremos a perceber que temos mais Amor Compassivo, que sentimos e padecemos tudo que acontece com qualquer ser sensível e fazemos o possível por ajudá-los. Perdemos a ideia de possuir, e jamais vamos carecer do que precisamos para fazer o que nos corresponde. Se o que fizerem é harmônico com o universo, sempre a provisão aparece. Quando vir a Verdade, seja qual seja, não nos alteraremos, horrorizaremos nem espantaremos. Sempre veremos a Verdade como algo natural, porque é sua natureza. Nascerá em nós um estado de simplicidade que nos fará rodearmos de um continente de esquisita beleza; jamais chamaremos a atenção sobre nossa aparência diante o resto da humanidade; seremos mais imperceptíveis, caminhando junto ao resto dos seres humanos. Deixaremos de pertencer a um grupo determinado, crença, sobrenome, profissão ou ofício; estaremos misturados com todos. Encontraremos-nos em absoluto autoconhecimento e de tudo o que nos rodeia. A Sabedoria será nosso estado natural. Seremos a Vontade Divina da Vida, e lentamente desaparecerá nosso ego; nossa vontade pessoal será de tudo o conglomerado que nos rodeia. Já não compararemos, julgaremos ou competiremos; jamais nos planejaremos “chegar a ser isto ou o outro”, ou deixar de ser “isto ou aquilo”. Não renunciaremos a nada, porque seria possuir a renuncia e nem sequer possuiremos “o renunciar”; assim viveremos libertados do par de opostos. Não procuremos títulos supostamente espirituais, nem lugar no “alem”. Estaremos onde estarmos e “seremos o que nos vemos” sem qualificação própria. Nosso entorno se transformará pelo conhecimento de nós mesmos. Não inventaremos nada com a mente, nem acreditaremos que onde estamos é o melhor, porque viveremos em todos e com todos. Nossa consciência começará a abarcar as diversas religiões, formas de crença, políticas, raças, condições sexuais, classes sociais, e não nos dividiremos com ninguém em particular. Estaremos libertos. Nossa mente não estará cheia de nada. Experimentaremos o real, porque estaremos livres de crenças, fanatismos; seremos infinitamente flexíveis; deixaremos-nos penetrar sem juízos sobre as coisas.

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VIPÁSSANA DO SENHOR DO MUNDO

Fazemos prática de Meditação Vipássana de forma instintiva, coloquial, pessoal, individual e externa quando conscientemente sustentamos em ordem, limpeza e consciência todas nossas coisas em nossa habitação; mesmo assim, um pouco mais extensamente, um chefe de família com sua casa, seu casal e seus filhos; abarcando um pouco mais o realiza um diretor de uma empresa, colégio ou instituto; maiormente um responsável, sério e honesto prefeito ou governador; ainda mais o presidente de um país; o diretor de um organismo internacional; alem disso, mais profundamente, tanto externa como internamente, o faz o Senhor Gautama, como Senhor do Mundo, por tudo o Planeta Terra.
O Senhor Gautama fica constantemente, em silêncio, concentradamente, em “Meditação Vipássana”, sustentando com sua Consciência ao planeta Terra em sua órbita, em perfeita circulação, com todos seus reinos, planos de manifestação e habitantes. É o Ser no qual nos movemos e temos nosso ser. O Senhor Gautama não pode distrair-se, não pode afastar sua atenção em isto; porque seria o caos universal, a Terra sairia de sua órbita e viria a destruição. O Senhor Gautama somente sai de sua Meditação em contados e breves momentos do ano, e só por grandes motivos que não se podem evitar e que requerem Sua Presença. Um deles é à hora exata do Festival de Wesak, para oferecer sua atenção externa e uma benção especial. Para o Senhor Gautama, as guerras entre países, pandemias internacionais, problemas econômicos da banca internacional são – por Principio de Correspondência – como as falhas ou problemas que temos que conscientizar e resolver com a Meditação Vipássana e nossa atenção sustentada. Assim como o Senhor Gautama sustenta em Meditação Vipássana a todo o Mundo sem distrair-se, em apenas um grau menor o realiza o Senhor Maitreya como “Buddha da Terra”. Em Meditação Vipássana, também o faz o Manú Vaivaswatta, pelas raças e continentes de todo o planeta; igualmente o Mestre Koot Hoomi, o “Cristo da Terra”, por todas as religiões e filosofias, o Especificamente, Ele pratica sentado em uma poltrona, no saguão de sua casa, e quando o realiza ninguém se atreve interrompê-lo nem fazer barulho; devido a isso, os moradores não ousam atravessar o jardim que rodeia sua casa, localizada em um lugar oculto dos Himalaia. Esta forma de “Meditação Vipássana” também a pratica Pablo o Veneziano, como Mahá Chohán, pela cultura planetária. De igual forma procede cada um dos Elohim, Arcanjos e Chohães de cada um dos Sete Raios com seu Raio particular, mantendo suas qualidades para a expansão e uso de toda a vida na Terra.

PENSAMENTO - FORMA DO VIPÁSSANA

Na prática do Vipássana não se considera ter, adorar, nem fazer culto de nenhuma imagem, sejam do Senhor Gautama ou de outro Ser. Mas se para alguém serve de “Pensamento - Forma” ou lembrança do que é Vipássana, pode ter uma imagem do Buddha de Kamakura ou alguma parecida. A mesma tem a postura mais recomendada para meditar, que é a de “Padmasana”, com as mãos em posição correta, fechando nosso campo magnético corporal em “Dhyâni-Mudra”. Seu rosto agradável nos induz à imperturbabilidade que dá a Meditação Vipássana. Seus olhos fechados nos convidam à Concentração. Seu leve sorriso é o grau de Bem-aventurança que surge em nós ao viver em Meditação Vipássana.

CRISTO E VIPÁSSANA

Não tem despertar do Cristo sem Vipássana. Porque o Despertar do Cristo é um Estado de Consciência de Observação da Realidade dos três Aspectos Básicos da Criação: Vontade, Sabedoria e Amor, mas ativos em nós; e estes não se ativam, não se despertam, não se manifestam, se não nos observarmos conscientemente. Observando sem qualificar, etiquetar e condenar é que se alcança o desenvolvimento da Consciência Crística. O principio do desenvolvimento da Consciência Crística está na Observação. Isto tão simples é a Realização da Consciência Crística, e não algo teórico que se lê em um livro ou que se ouve em uma conferencia; isto é algo que tem que vivenciar em você.

VIPÁSSANA POR CAUSA E EFEITO

Quando uma pessoa rouba, estupra, mata, seja consciente ou inconscientemente, por Causa e Efeito a vida conduz a uma cadeia onde, encerrada, às vezes isolada em uma cela de castigo, privado de comunicação, não fica mais remédio que meditar e enfrentar-se a todo o que tem feito, sentindo em carne própria suas próprias malfeitorias. Quando uma pessoa arremete, prejudica, maltrata, calunia e é injusta em seu trato com os demais –sejam amigos, familiares, conhecidos ou desconhecidos – e isto o faz sem dar-se conta de que realiza um mal, de repente, sem aparentes motivos, aparece uma doença que a prende em uma cama ou em um hospital, onde em longas horas de intermináveis dias, às vezes imóvel ou em solidão, reflexiona tudo o que tem feito e se confronta com a desarmonia que tem gerado. Isto significa que, queiram ou não, conheçam ou não esta prática, a vida vai forçar a estas pessoas a realizá-la. Tem pessoas quem vivem em um Vipássana constante, dando-se conta do que fazem, percebendo suas ações, sem transgredir nenhuma das Sete Leis Universais, cumprindo com os Dez Pâramitâs; então, suas vidas transcorrem em completa harmonia e dessa forma harmônica se vão da encarnação.

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CONVERSA DO SENHOR GAUTAMA A RESPEITO DO VIPÁSSANA

FUNDAMENTOS DA ATENÇÃO
SATIPATTHANA SUTTA
Tradução adaptada por Rubén Cedeño

Em uma ocasião, o Senhor Gautama disse: O único caminho para a purificação dos seres, a superação das tristezas e as lamentações, a destruição da dor e a aflição, para alcançar o Reto Caminho, para a realização do Nirvana, é este dos Quatro Fundamentos da Atenção. Vive-se, praticando a contemplação do corpo no corpo, praticando a contemplação das sensações nas sensações, contemplando a consciência na consciência, praticando a contemplação dos objetos mentais nos objetos mentais, fervoroso, compreendendo claramente e atento, superando a cobiça e a aflição inerentes ao mundo.


CONTEMPLAÇÃO DO CORPO

Pode ir ao bosque, ao pé de uma árvore, em um lugar solitário, e sentar-te com as pernas cruzadas, manter o corpo erguido e a atenção alerta. Atento, aspira e exala. Ao fazer uma aspiração comprida, compreende que está fazendo uma aspiração comprida. Ao fazer uma exalação comprida, dar-se conta que está fazendo uma exalação comprida. Ao fazer uma aspiração curta, dá conta que está fazendo uma aspiração curta. Ao fazer uma exalação curta, dá conta que faz uma exalação curta. Consciente de todo o corpo durante a respiração e a exalação, assim se exercita. Acalmando a função corporal, aspira e exala, exercitando-se.
Da mesma maneira que um torneiro experto ou seu aprendiz sabe, ao lavrar uma voluta grande: “Estou lavrando uma voluta grande”, ou ao fazê-la pequena, sabe: “Estou lavrando uma voluta pequena”, assim deve fazê-lo ao inalar e exalar. Vive contemplando o corpo interna e externamente, os fatores que o originaram e os fatores que o dissolverão. Tem consciência de que possui um corpo preparado para o conhecimento e a atenção, e vive com independência, sem apegar-se a nada no mundo. Assim é como se vive contemplando o corpo no corpo.

POSIÇÕES DO CORPO

Deve-se caminhar sabendo que está caminhando; quando se permanece de pé, souber que está de pé; quando se está sentado, souber que está sentado; quando se está tombado, souber que está tombado; e igualmente ter consciência de qualquer outra posição do corpo.
Assim se vive contemplando o corpo no corpo internamente, ou se vive contemplando o corpo no corpo externamente, ou se vive contemplando o corpo no corpo interna e externamente. Vive contemplando os fatores da origem do corpo, ou vive contemplando os fatores de dissolução do corpo, ou vive contemplando os fatores da origem e dissolução do corpo. Tem consciência de que “tem um corpo” no grau preciso para o conhecimento e a atenção, e vive desapegado, sem apegar-se a nada no mundo. Monges, assim é como o monge medita, praticando a contemplação do corpo no corpo.

ATENÇÃO COM CLARA COMPREENSÃO

Assim mesmo se aplica a clara compreensão ao avançar e ao retroceder; ao olhar para adiante e ao olhar ao redor; ao estender e encolher os membros; ao vestir a roupa e ao levar o recipiente de esmolas; ao comer, ao beber, mastigar e saborear; ao andar, permanecer de pé, sentar-se, dormir-se, ao acordar, ao falar e ao calar, se aplica a clara compreensão. Assim se vive contemplando o corpo no corpo.

REFLEXÃO DA REPUGNÂNCIA DO CORPO

Mesmo assim se reflexiona sobre o nosso corpo, coberto com pele e cheio de impurezas, da planta dos pés para cima e da coroa para abaixo, e precisa se pensar assim: “Tem neste corpo: cabelos na cabeça, pelo no corpo, unhas, dentes, pele, carne, calcanhar, ossos, tutanos, rins, coração, fígado, pleura, baço, pulmões, intestinos, estômago, fezes, bílis, fleumas, pus, sangue, suor, gordura sólida, lágrimas, gorduras líquidas, saliva, melecas, fluido sinovial, urina”.
É como ter uma sacola de provisões, de aquelas com duas aberturas, cheia de diversas classes de grãos, tais como: arroz de montanha, arroz corrente, feijão, ervilhas, gergelim, arroz perolado, e um homem que tem bons olhos abre, examina e diz: “Isto é arroz de montanha; isto, arroz corrente; este é feijão; estas são ervilhas; isto é gergelim; isto é arroz perolado”. Da mesma forma, uma pessoa reflexiona sobre seu próprio corpo, desde as plantas dos pés para cima e da corona para abaixo, envolvido na pele e cheio de impurezas: “Neste corpo tem cabelo na cabeça, pelo no corpo, unhas, dentes, pele, carne, calcanhar, ossos, tutanos, rins, coração, fígado, pleura, baço, pulmões, intestinos, estômago, fezes, bílis, fleumas, pus, sangue, suor, gordura sólida, lágrimas, gorduras líquidas, saliva, melecas, fluido sinovial, urina”. Assim vive contemplando o corpo no corpo.

REFLEXÃO SOBRE OS ELEMENTOS MATERIAIS

Assim mesmo, uma pessoa reflexiona sobre seu próprio corpo, em qualquer lugar ou posição em que se encontre, pensando em seus elementos materiais: “Neste corpo existe o elemento terra, o elemento água, o elemento fogo e o elemento ar”. Como um açougueiro experto ou seu aprendiz, que alem sacrificar a uma vaca e separá-la em partes, a vende no cruze de quatro estradas, da mesma maneira, a pessoa reflexiona sobre seu próprio corpo em qualquer lugar ou posição em que se encontre, pensando em seus elementos primários. Assim vive contemplando o corpo no corpo.

NOVE CONTEMPLAÇÕES DO CEMITÉRIO

Assim mesmo, quando se vê um corpo que leva um, dois ou três dias de morto, enchido, roxo e putrefato, jogado no ossuário, ou que está sendo devorado pelos corvos, os gaviões, os urubus, os cachorros, os chacais ou por distintas classes de gusanos, se aplica esta percepção ao próprio corpo desta maneira: “Em verdade que também meu corpo tem a mesma natureza, se volverá igual e não escapará disto”.
Assim se deve viver contemplando o corpo internamente e externamente: os fatores da origem do corpo e de sua dissolução. Tem consciência de que tem um corpo preciso para adquirir o conhecimento, presta atenção e vive independente, sem apegar-se a nada no mundo. Assim é como as pessoas têm de viver contemplando o corpo no corpo.
Como quando um monge vê um corpo jogado no ossuário, reduzido a um esqueleto, com algo de carne ou sem ela, com sangue ou não, unido tão só pelos calcanhares ou não, e reduzido em ossos soltos esparzidos em todas as direções: aqui os ossos da mão, lá os dos pés, os ossos das canelas, os das coxas, a pélvis, as vértebras, o crânio, reduzido a ossos branqueados de mais de um ano, amontoados, ou reduzido a pó, então aplica esta percepção a seu próprio corpo desta maneira: “Em verdade que também meu corpo tem a mesma natureza, se volverá igual e não escapará disso”.
Assim tem de viver contemplando o corpo no corpo, internamente e externamente. Vive contemplando os fatores da origem do corpo, ou vive contemplando os fatores de dissolução do corpo, e tem consciência de que “tem um corpo” no grau preciso para o conhecimento e a atenção, e vive desapegado, sem aferrar-se a nada no mundo. Assim é como uma pessoa vive contemplando o corpo no corpo.


CONTEMPLAÇÃO DAS SENSAÇÕES

Ao experimentar uma sensação agradável, percebe e sabe: “Experimento uma sensação agradável”; quando experimenta uma sensação dolorosa, percebe: “Experimento uma sensação dolorosa”; quando experimenta uma sensação nem agradável nem dolorosa, sabe: “Experimento uma sensação que não é nem agradável nem dolorosa”; quando experimenta uma sensação mundana agradável, sabe: “Experimento uma sensação mundana agradável”; quando experimenta uma sensação mundana dolorosa, sabe: “Experimento uma sensação mundana dolorosa”; quando experimenta uma sensação mundana que não é dolorosa nem não dolorosa, sabe: “Experimento uma sensação mundana que não é dolorosa nem não dolorosa”; quando experimenta uma sensação espiritual agradável, sabe: “Experimento uma sensação espiritual agradável”; quando experimenta uma sensação espiritual dolorosa, sabe: “Experimento uma sensação espiritual dolorosa”; quando experimenta uma sensação espiritual que não é dolorosa nem não dolorosa, sabe: “Experimento uma sensação espiritual que não é dolorosa nem não dolorosa”.
Assim vive contemplando as sensações nas sensações internamente, externamente. Vive contemplando os fatores da origem das sensações, ou da dissolução das sensações, ou os fatores da origem e os da dissolução das sensações. Ou tem consciência de que “tem sensações” no grau preciso para adquirir conhecimentos, atento, e vive desapegado, sem aferrar-se a nada no mundo. Monges; assim é como uma pessoa vive contemplando as sensações nas sensações.

CONTEMPLAÇÃO DA CONSCIÊNCIA

Quando tem paixão na consciência, sabe que tem, e quando não, sabe que não tem; quando tem ódio na consciência, sabe que tem ódio, e quando não, sabe que não tem; quando tem ignorância na consciência, sabe que tem, e quando não, sabe que não tem; quando a consciência está diminuída, sabe que está assim, e quando está distraída, também saiba; quando a consciência está desenvolvida, saiba, quando está em um estado superior, também, e quando não tem também se dá conta; quando a consciência está concentrada, sabe que está concentrada, e quando a consciência não está, sabe que não está; quando a consciência está liberada, sabe que está liberada, e quando não está, sabe como está.
Assim, vive contemplando a consciência na consciência, internamente ou externamente. Vive contemplando os fatores da origem da consciência, ou os fatores de sua dissolução, ou sabe que “tem consciência” no grau preciso para adquirir o conhecimento e a atenção, e vive desapegado, sem aferrar-se a nada no mundo. Assim é como as pessoas vivem contemplando a consciência na consciência.

CONTEMPLAÇÃO DOS OBJETOS MENTAIS

Una pessoa há de viver contemplando os objetos mentais, constituídos pelos cinco obstáculos. De aqui, que quando o apetite de sentir sensações está presente, a pessoa sabe e diz: “Tenho apetite sensual em mim”; quando o apetite sensual está ausente, sabe: “Não tenho apetite sensual em mim”. Sabe como surge o apetite sensual e como não volta a surgir no futuro o apetite sensual que há rejeitado.
Quando a ira está presente, a pessoa sabe: “Tenho ira em mim”, e quando a ira está ausente, sabe: “Não tenho ira em mim”. Sabe como surge a ira que não existia previamente, sabe como se rejeita a ira que tem surgido, e sabe como já não volta a surgir no futuro a ira rejeitada.
Quando a preguiça e a sonolência estão presentes nela, a pessoa tem que saber: “Tenho preguiça e sonolência em mim”; quando a preguiça e a sonolência estão ausentes, sabe: “Não tenho preguiça nem sonolência em mim”. Sabe como surgem a preguiça e a sonolência que não existiam previamente, sabe como se rejeitam a preguiça e a sonolência surgidas, e sabe como já não voltam a surgir no futuro a preguiça e a sonolência rejeitadas.
Quando o desassossego e a ansiedade estão presentes nela, a pessoa tem que saber: “Tenho desassossego e ansiedade em mim”; quando o desassossego e a ansiedade estão ausentes, sabe: “Não tenho desassossego nem ansiedade em mim”. Sabe como surgem o desassossego e a ansiedade que não existiam previamente, sabe como se rejeitam o desassossego e a ansiedade surgidos, e sabe como já não voltam a surgir no futuro o desassossego e a ansiedade rejeitada.
Quando a duvida está presente nela, a pessoa tem de saber: “Tenho duvida em mim”; quando a duvida está ausente, sabe: “Não tenho duvida em mim”. Sabe como surge a duvida que não existia previamente, sabe como se rejeita a duvida surgida, e sabe como já não volta a surgir no futuro a duvida rejeitada.
Assim vive contemplando os objetos mentais nos objetos mentais, internamente e externamente. Vive contemplando os fatores da origem dos objetos mentais e de sua dissolução, ou tem consciência de que tem “objetos mentais” no grau preciso para o conhecimento e a atenção, e vive desapegado, sem aferrar-se a nada no mundo. Assim é como as pessoas vivem praticando a contemplação dos objetos mentais nos objetos mentais constituídos pelos cinco obstáculos.

CINCO AGREGADOS DO APEGO

Assim mesmo, têm de viver as pessoas contemplando os objetos mentais nos objetos mentais, constituídos pelos cinco agregados do apego. Tem aqui como tem de pensar a pessoa: “Assim é a forma desta matéria, assim surge e assim desaparece; assim é a sensação, assim surge e desaparece; assim é a percepção, assim surge e desaparece; assim são as formações mentais, assim surgem e assim desaparecem; assim é a consciência, assim surge e assim desaparece”.
Assim vivem as pessoas contemplando os objetos mentais nos objetos mentais, internamente ou externamente. Vivem contemplando os fatores da origem dos objetos mentais, sua dissolução, os fatores de como surgiram e como se dissolvem. O tem consciência de que tem “objetos mentais” no grau preciso para obter conhecimentos, despertar a atenção, e vive desapegada, sem aferrar-se a nada no mundo. Assim é como se vive, contemplando os objetos mentais nos objetos mentais constituídos pelos cinco agregados do apego.

SEIS ESFERAS INTERNAS E EXTERNAS DOS SENTIDOS

Assim se vive contemplando os objetos mentais nos objetos mentais, constituídos pelas seis esferas internas e externas dos sentidos.
Como se vive contemplando os objetos mentais nos objetos mentais formados pelas seis esferas internas e externas dos sentidos?
Uma pessoa conhece o olho, as formas visuais e a atadura que surge dependendo de ambos, tanto do olho como das formas; sabe como surge a atadura que não existia previamente, sabe como se rejeita a atadura surgida e sabe como já não volta a surgir no futuro.
Conhece o ouvido e os sons, a nariz e os cheiros, a língua e os sabores, o corpo e os objetos tateáveis, a mente e os objetos mentais, e conhece as ataduras que dependem deles; sabe como surgem as que não existiam previamente, sabe como se rejeitam e como já não voltam a surgir no futuro.
Assim vive a pessoa contemplando os objetos mentais nos objetos mentais, internamente ou externamente, ou ambos à vez. Vive contemplando os fatores da origem de os objetos mentais, os fatores de sua dissolução, ou tem consciência de que “tem objetos mentais” no grau preciso para conhecê-los e ter atenção, e vive desapegada, sem aferrar-se a nada no mundo. Assim é como se vive contemplando os objetos mentais nos objetos mentais, formado pelas seis esferas internas e as seis esferas externas dos sentidos.

SETE FATORES DA ILUMINAÇÃO

Assim tem que viver as pessoas contemplando os objetos mentais constituídos pelos Sete Fatores da Iluminação. De aqui que quando a atenção, a investigação dos objetos mentais, a energia, a alegria, a calma, a concentração, a equanimidade, que são fatores que produzem a Iluminação, estão presentes nela, a pessoa sabe: “Tenho em mim a atenção, a investigação dos objetos mentais, a energia, a alegria, a calma, a concentração, a equanimidade, que são fatores de Iluminação”; e quando estão ausentes, sabe: “Não tenho em mim nada disso”, sabe como surgem e como se produzem.
Assim vive contemplando os objetos mentais nos objetos mentais internamente, ou externamente, ou em ambos á vez. Vive contemplando os fatores da origem ou dissolução dos objetos mentais ou tem consciência de que tem “objetos mentais” no grau preciso para o conhecimento e a atenção, e vive desapegado, sem aferrar-se a nada no mundo. Monges; assim é como se vive contemplando os objetos mentais nos objetos mentais constituídos pelos Sete Fatores de Iluminação.
Assim vive contemplando os objetos mentais nos objetos mentais, internamente ou externamente, ou em ambos á vez. Vive contemplando os fatores da origem ou dissolução dos objetos mentais, ou tem consciência de que tem “objetos mentais” no grau preciso para o conhecimento e a atenção, e vive desapegada, sem aferrar-se a nada no mundo. Monges; assim é como se vive contemplando os objetos mentais nos objetos mentais constituídos pelos Sete Fatores da Iluminação.

QUATRO NOBRES VERDADES

Assim mesmo, uma pessoa vive contemplando os objetos mentais nos objetos mentais constituídos pelas Quatro Nobres Verdades. De aqui que uma pessoa sabe: “Isto é sofrimento”, “este é a origem do sofrimento”, “esta é a cessação do sofrimento”, “este é o Caminho que conduz á cessação do sofrimento”, e sabe porque assim o percebe realmente.
Assim, vive contemplando os objetos mentais nos objetos mentais, internamente ou externamente, ou ambos à vez. Vive contemplando os fatores da origem e a dissolução dos objetos mentais, ou tem consciência de que tem “objetos mentais” no grau preciso para o conhecimento e a atenção, e vive desapegada, sem apego a nada no mundo. Assim se vive contemplando os objetos mentais nos objetos mentais constituídos pelas Quatro Nobres Verdades.
Em verdade, que aquele que pratique estes Quatro Fundamentos da Atenção desta maneira, durante sete, seis, cinco, quatro, três, dois ou um ano; durante sete, seis, cinco, quatro, três, dois ou uma semana; pode esperar que se produza em ele um destes dois resultados: o Conhecimento Supremo ou não volver à encarnação.
Por isto, se tem dito: “Este é único Caminho para a pacificação dos seres, para a superação da pena e as lamentações, para a eliminação da dor e a aflição, para alcançar o Reto Caminho, para a realização do Nirvana”.

12
ESTEJAMOS FELIZES

Estejamos equânimes: no calor, com o calor, e no frio, com o frio; no agradável, com o agradável, e no desagradável, com o desagradável; sendo conscientes das sensações que percebemos, só observando sem qualificar. Demos Graças à Vida pelo que temos. Renunciemos a desejar objetos, coisas, enfeites, e sejamos felizes com que boa e sabidamente já possuímos, em onde estejamos, com o que contamos. Abandonemos desejar ir a lugares e sintamos-nos felizes em onde estamos, no momento presente, em nossa REALIDADE. Comamos com gosto o que a Vida nos dá, e demos graças por ter quê comer. Desejemos estar com as pessoas com quem estamos; sejamos felizes e não fiquemos pensando nas que não estão. Sejamos felizes aprendendo o que temos pela frente para aprender, e não o que não está a nosso alcance. Toda Sabedoria sempre é importante na vida. Apaixonemos-nos por quem nos quer, e assim fechemos o círculo de persecuções amorosas de ficar detrás de quem não nos quer. Sintamos-nos felizes no ônibus se vamos nele, na motocicleta, a bicicleta, no metrô, ou no carro particular. Não nos mortifiquemos por não possuir o meio de transporte que não temos. A festa está onde você está; ali se encontra a vida, a consciência, a plenitude, A REALIDADE. Que boa que a festa está? Por que se mortifica quando lhe contradizem? Faz silêncio diante o adversário, não reaja; ao final de tudo, se tem a Verdade, esta se saberá e se imporá. Sinta-se feliz com aquele que ensina algo para você, ainda não goste sua maneira de ensinar. Aos companheiros de trabalho ou de estudo não pode mudá-los; é você que deve mudar diante eles e aceita-los tal como são. Sinta-se feliz com o nível que lhe corresponde, porque é o que merece; não queira mais nem menos que lhe corresponde. Você pertence ao grupo da “Raça Humana”, os “Filhos da Vida”; não se mortifique por pertencer a um grupo humano social ou espiritual que se pode dissolver em qualquer momento. Localize-se no instante e sente, vê e aceita onde está vivendo em seu aqui e seu agora; não veja o que não tem. Você não tem por que viver com quem você não quer; ninguém pode lhe obrigar. Não se mortifique que tudo é ilusão. Se casar, desfruta com o que tem que fazer em essa união enquanto esteja unido, assim que não se lamente, este é um efeito de uma causa, os casais se amarram e desamarram. Não se queixe nem sofra por isto, cumpra com amor ou toma uma decisão. Não se complique com razões que impeçam sua felicidade. Cessa de desejar estar deitado ou levantado; somente deseja estar como está: acordado ou dormido, como se precise ou se possa. Quando se está localizado no “aqui e agora”, percebendo a REALIDADE, dá igual ficar em casa ou sair à rua; sempre tem algo a fazer. Se não puder, um Medita na REALIDADE. As doenças criadas pela mente, ao conscientizá-las, se curam. Quando temos algumas que confrontarmos que não podemos esquivar, não devemos entrar em rebeldia com elas, senão aproveitar a oportunidade para meditar e transmutar todos os erros que temos cometido. A dor e o sofrimento da agressão física, com perdão e amor compassivo se redimem. OBSERVA em silêncio, sem qualificar, quem bate em você, insulta, calunia ou grita; assim estará atuando com o maior Amor Compassivo possível. Se nos tiram nossa razão, isto não quer dizer que não a tenhamos; o querer ter razão é orgulho e afirmação do “eu pessoal”, assim que desenvolve a humildade, fica calado OBSERVANDO, que mais para frente se saberá a Verdade. Não sentir a sexualidade, ser impotente ou não orgástico é algo que chega sozinho; não se sinta infeliz por isso, já que isto é o que procuram os que se entregam para Deus, como os monges, místicos e renunciantes. Tudo o que tem princípio tem fim; a desaparição física de um amigo ou familiar é normal, alem, não devemos nos apegar a nada nem a ninguém. A morte não existe, as distancias também não, são um lugar do tempo e do espaço em que a eles lhes corresponde estar. Aceita ao filho que tem ou ao estudante que a Vida lhe tem dado como o tem dado. Construí-lo, aperfeiçoá-lo, mas não deseje que seja diferente de como é, isto é impossível. Desejar que fosse outro é desencadear um sofrimento eterno que não tem solução. Os filhos e os estudantes não nos pertencem, não podemos dispor de suas vidas, profissões, gostos sexuais e com quem vão viver. Seja você feliz e deixá-los a eles ser felizes, desenvolvendo o amor com liberdade, sem desgostos nem sofrimentos. O desejar estar aqui ou lá, fazendo isto ou o outro, quando estamos em outra coisa, é um deslocamento da mente com desejos descontrolados. Um mesmo está em um só lugar por vez, e em onde está; se faz somente o que se está fazendo e não outra coisa. A real vestidura de nossos corpos sutis é a pele do corpo físico, ela é nossa melhor roupa. Tudo o que tiver por encima dela é luxo e sobra. Renunciemos ás grandes vestimentas e sejamos simples, discretos; não faz falta chamar a atenção no vestir. Lembra que tudo o externo é efêmero: as ações no clube, a conta bancaria e um apartamento em um lugar, podem desaparecer por qualquer motivo; cifrar a felicidade em isto é escrever no gelo. Sua REALIDADE sempre estará ali, ainda tudo mude e desapareça. Desapeguemos-nos desta aparência física, já que a verdadeira vida é eterna, uma com a morte. Nossa REALIDADE na “Eternidade” é Cristalina; não tem fumaça nem cores turvas, mentes alteradas, nem ilusões produzidas por algum comprimido ou bebida. O verdadeiro progresso espiritual é aquele que é ignorado até pela pessoa que o possui; assim que, quando nos acreditemos sábios ou com certo avanço espiritual, nem sequer temos começado o caminho ainda. Se tiver objetos espirituais facilitaria a realização, os vendedores de dorjes e sinos, buddhas, imagens, rosários, cruzes, livros e amuletos seriam Santos, completamente realizados. Se vir milhões de pessoas vestidas de laranja, preto ou marrom por acreditar ser renunciantes, não deixam de ser seres comuns, apegados como qualquer outro. O apego se nota por em cima da roupa da renuncia. Desejar ter iniciações ou graus espirituais é apego ao externo, porque os verdadeiros valores espirituais não se obtêm, se desenvolvem dentro de si mesmo, e o que faz o Mestre é qualificá-los. O desejo, ainda seja de algo espiritual, é ilusão, atadura, falsidade. Não deseje nada, nem sequer o “não desejar”. O desejar parecer espiritual é a pior de todas as fantasias ou mentiras, nos colocamos uma vestimenta de sacerdote ou de outra coisa. Você não deve desejar parecer nada, nem parecer-se a ninguém, somente ser um cristal de sua própria REALIDADE. Se pendurar símbolos, rosários, crucifixos, letras, cristais, cruzes, nos der a realização, então com não fazer mais nada e pendurar-se algo destas coisas bastaria para chegar à mais alta Santidade, o Autoconhecimento e a Iluminação. Um não pode desejar ser Diretor Espiritual de nada nem de ninguém, porque isto seria atentar contra a verdadeira Direção Interior, que é de dentro para fora. Para quê querer ser famosos espiritualmente? A espiritualidade é interna, a fama é externa. Assim que “Não Sofra Mais”. Sofre ou tem sofrido porque quer ou tem querido. O sofrimento é uma criação mental mais; se aceitar isto está no princípio de liberar-se dele. Se crer que o sofrimento é castigo divino, karma, e o tem que padecer, viverá amargado e em conflito toda a vida. Você tem direito a ser feliz. Olha a seu ao redor e observa todas as possibilidades de transformar na alegria o que está triste, em saúde a doença, em amor o ódio, em beleza o horroroso, em paz a guerra e, sobre tudo, em perdão o rancor. Afirma: “Eu Sou Feliz e só aceito a felicidade em minha vida”.

DEZ DIAS DE VIPASSANA

Barcelona, 25-5-2008

Depois que um reencontrado ex-aluno de música me comentara suas vivencias ao fazer o Curso de Vipássana, apresentei a solicitação por escrito para ingressar em um centro e realizá-lo; logo de uns dias de ter submetido, me aceitaram. Parece que ali estudam as pessoas que vão aceitar. Vi os requisitos para participar e eram muito estritos, mas me arrisquei fazê-lo. Nunca tenho participado em cursos desse tipo, já que dessas coisas não gosto, não me interessam para nada, mas queria completar a segunda parte deste escrito, que já tinha pronto sobre Vipássana, com uma vivencia em um centro de Meditação destas características. Algo me dizia que fizera e me atrevi. Um assunto que me impressionou de boa maneira é que não cobraram, ainda que um passasse ali dez dias comendo, dormindo e recebendo classes; só pediam uma doação amorosa ao final. Evidentemente tinha que dar algo de doação. A instrução espiritual que não se paga não dá proveito. Não é que se pague com dinheiro, senão com doações e, alem disso, com serviço. O grupo organizador não era nenhum movimento religioso nem seita; seu único objetivo era que, por médio da meditação em Observação, um descobrira por si mesmo que tinha que olhar em seu interior, sem o matiz de nenhuma ideologia, religião ou tendência esotérica.
Tiveram que auxiliar-me para chegar ao lugar do curso, que era em Santa Maria Palautordera, perto de Barcelona, caminho à fronteira com França. Estava localizado na cima de uma colina, em um descampado como de um quarteirão de extensão desses que são muito grandes. No centro do terreno se encontravam as edificações. Em todo o lugar não tinha enfeites nem decorações de nenhuma espécie, nada que distrair a mente nem estimulara a imaginação em nenhum sentido; era todo modesto, humilde, onde cada objeto tinha uma utilidade prática. O “Salão de Meditação” era bastante grande, de madeira polida e sem nenhuma imagem de nada, nem sequer de um Buddha. Só tinha almofadas para sentar-se, porque quase todos os que ali assistiam meditavam em posição de loto. Estavam disponíveis mantas para pôr nas costas, um estrado para o coordenador da meditação, um aparelho de som para pôr o áudio das aulas e fazer os mantras em páli que já estavam previamente gravados. Era todo seco e austero. De um lado e de outro do templo havia duas grandes habitações, uma para as mulheres e outra para os homens, que eram coletivas, com quatorze camas beliches e um banheiro para cada seção, com três chuveiros, três vasos e três pias. Havia uma cozinha ampla, muito bem dotada industrialmente, e os refeitórios de mulheres e homens estavam separados. A mesa para comer era coletiva, e ainda que comamos olhando-nos, não podíamos dialogar; assunto que nos foi obrigando a que cada um, pouco a pouco, fora se introduzindo dentro de seu prato e nem mirarmos. Em um momento determinado decidi escolher um canto do refeitório, o mais afastado e escuro. Ali permaneci comendo até o final. Não se podia levar nenhum enfeite, e muito menos insígnias religiosas como crucifixos, quartzos e outros assuntos.
Não gostava de dormir com vinte e oito pessoas, e em um beliche, menos. Mas, às vezes tem que fazer estas coisas para submeter sua personalidade e o orgulho. Assim o aceitei. A primeira noite os ronquidos eram insuportáveis; prevendo isto, tinha levado uns tampões para ouvidos, mas não funcionavam muito. Invoquei á Metafísica e decretei: “Eu Sou aqui a Divina Presença do Guardião Silencioso deste lugar, silenciando todos estes ronquidos”. Como por arte de magia todos se calaram. Entre os companheiros tinha de todos os tipos e tamanhos: avós que podiam ser meu pai, pessoas a metade do caminho na vida e jovens quase adolescentes. Eram de nacionalidades variadas e até um africano tinha. Por seus rostos e roupas, alguns se viam como poderosos executivos, outros com aspecto de hippies, e uns poucos como obreros. Mas tinha uma característica comum: todos se viam bons e nobres.
Os requisitos eram muito estritos e tinha que cumpri-los custe o que custar; uma pessoa se encarregava de que isto se executara, e se alguém os descumpria, docemente se lhe dizia. Não pôde falar durante dez dias, nem sequer fazer sinais ou tocar a ninguém para cumprimentá-lo, dizer “perdão” nem dar bom dia ou boa noite. Era silêncio absoluto. Assunto muito benéfico para o encontro com si mesmo, para começar a observar-se e calar essa mente barulhenta. Também não se podia cantar, nem levar o rádio, CD Player ou iPod; os celulares nos tiraram na porta o dia em que entramos. O espaço para poder circular era ao ar livre, não muito extenso, e estava delimitado por uma cordinha que nunca a ninguém se lhe ocorreu pular. Estávamos presos por própria vontade, apresada a matéria para que brotasse o espírito. Ali compreendi a clausura das carmelitas e cartuxos. Não tinha muita grama, mais ou menos bem cortada com uns quantos arbustos e pinheiros não muito altos. Nos aos redores não se viam casas nem construções, só um silêncio arrasador que envolvia e se engolia tudo. Este silêncio nunca me desesperou. O lugar era ideal para o que estávamos fazendo.
A comida era estritamente vegetariana. O café da manhã era às 06h30min da manhã com umas maças, peras e ameixas fervidas, aveia e pão integral. Almoçava-se às 11h; sempre variavam os grãos, nunca faltava o arroz integral nem a salada, e de sobremesa, fruta ou um arroz com leite. Depois das 12 do dia já não se servia mais comida até o seguinte dia. Isto era igual a como comia O Senhor Gautama. Ao começo me deu medo do que me deram ataques de fome, mas isto nunca aconteceu, me acostumei. Ao principio a comida era muito abundante; logo, pouco a pouco, a foram reduzindo. Isto era a propósito, para que cada dia nós comêssemos menos. Um dia, depois da comida, tinha a boca um pouco amarga e encontrei entre minhas coisas uma bala de menta, então vi a glória. Mas se o comia por completo não ia ter mais, assim que cada dia o chupava um pouquinho e o guardava para o seguinte, até que lamentavelmente se terminou.
Passávamos umas 11 horas ao dia meditando, desde as 04h30minh da manhã, o que fazia que nos acordassem às 4h em ponto da madrugada. Antes de dormir, como às 7h ou 8h da tarde, gozávamos de umas dois horas de classes do Buddhadharma mais puro, belo, claro e bom que jamais escutei de alguém ou li em algum livro. Era o que mais gostava de tudo, “a cereja sobre a sobremesa”. Essas conversas nos aclaravam os processos internos que o sistema fazia que surgissem. Lembro com nostalgia o som de um doce gongo de registro agudo que faziam soar para que acordássemos na manhã, para chamar á meditação e às comidas.
Todos os estritos requisitos, junto às técnicas de meditação, fizeram que ao seguinte dia de haver começado já estivera em processo de retrospecção de toda minha vida. Foi um exame de minha encarnação. Ali dentro chegou o 21 de maio que completei 56 anos. Por certo, o ego não se afetou nem sentiu nada porque passara esse dia completamente ignorado e longe do mundo. No processo, primeiro começou sair tudo o negativo. E mesmo que minha vida eu a considero bela e positiva, não deixa de ter por ali coisas que transmutar. Então tudo isso começou surgir e comecei me sentir muito mal. Estava consciente do que me acontecia, o aceitava, mas era espantoso. Assim passei a maioria dos dias. No momento determinado, já ao final dos dias, não saiu mais o negativo, senão o positivo, e comecei ver claramente e com muita precisão as coisas que devia fazer no futuro próximo.
Acredito que não devo comentar aqui o que fazíamos na meditação; quem o deseje saber, que faça este retiro. Mas apesar de esta advertência direi algumas mínimas coisas que são importantes que se saibam. A meditação não se fazia em nenhuma palavra secreta nem outorgavam mantra pessoal para meditar nele; também não se mandava a concentrar em alguma deidade, guru, paisagem, entidade, objeto nem nada. As meditações não estavam encaminhadas para um culto em especial de um grupo ou religião; todas levavam à observação interior, penetrando nas raízes mais profundas do próprio ser, metendo-se dentro de si mesmo a se conhecer. No momento do curso se nos solicitou que em três das meditações do dia, com a duração de uma hora, não movêramos nem um cabelo; aqui sim que tudo se voltou mais duro.
Cada dia deste retiro eu passei dizendo-me a mim mesmo em alguns momentos: “Isto é maravilhoso, recomendarei a todos fazer”. Ao momento me desdizia: “É espantoso, não o recomendaria nem a meu pior inimigo”.
Durante os escassos momentos livres, no limitado espaço ao ar livre, me deleitava com o céu que era belíssimo; tinha dezenas de passarinhos que trinavam e voavam por aqui e por lá, coelhinhos que atravessavam correndo, mil de formigas fazendo seus formigueiros. Era o único deleite, porque nem sequer um livro eles deixavam ler.
Essa vivencia foi forte, e considero que é necessário passar mesmo que seja uma vez na vida, mas a recomendo só aos valentes, para que não abandonem o lugar como vi que fizeram cinco de nossos companheiros que saíram as pressas, horrorizados. E não é que um seja valente, mais de uma vez me deram vontades de ir embora, mas eles penduraram no refeitório um letreirinho que dizia: “FIRME DETERMINAÇÃO”, e eu decretei: “AGUENTAREI ATÉ O FINAL”. “Se outros têm aguentado, também o farei”. E último dia, o Mestre mundial que leva estes cursos, em uma gravação nos disse que se tínhamos chegado ao final era porque tínhamos completado, ao menos dentro do curso, a prática dos dez Pâramitâs, que são uns preceitos espirituais dentro do Buddhadharma. Quando terminei o curso me sentia como graduado de uma universidade obtendo as melhores notas. Depois de sair vi que era algo grande e sumamente necessário para o caminho espiritual ter participado disto.

VIPÁSSANA DE UM EX ALUNO

Hamburgo, 2-6-2008

Quando subi ao salão onde dava classes de “Teoria e Solfejo”, me encontrei com um novo aluno, uma criança que estava lendo um livro, e por procurar conversação, lhe perguntei: “¿O quê lê?”. Disse-me: “Ágata Christie”. Quando tomei o livro, vi que o lia em inglês. À seguinte semana voltei a encontrá-lo lendo e lhe diz: “¿Como vai Ágata Christie?”. Respondeu-me: “Agora leio outra coisa”. Ao olhar o texto eu observei que estava em francês e lhe perguntei: “¿Também lê francês?”. Contestou-me: “Eu leio as obras em seus idiomas originais”. Dei-me conta de que era uma criança desses especiais ao qual lhes dizem “da Nova Era”, dos que nascem sabendo. Sem nunca dizê-lo nem fazê-lo perceber, se converteu em meu aluno preferido; encantava-me como era; seu jeito de ser; seus quatro anos de carreira estudando comigo foram simplesmente brilhantes, com as máximas notas, de respostas inteligentes e contestações geniais. Tanto foi assim, que o dia de seu exame final, para concluir seus estudos de “Teoria e Solfejo”, eu conversei com o jurado que era inútil examiná-lo, que a criança era um sábio. Quando entrou ao salão não o examinei, lhe tomei seu nome e lhe disse: “Vai embora”. Ele me perguntou: “¿Não vai me interrogar nada?”, e lhe disse com graça: “Vai, senão vou reprová-lo”. Demos-lhe a máxima pontuação. Foi o último dia que o vi, lhe perdi a pista. De criança passou a ser jovem especial em tudo o que fez na vida; na totalidade de seus estudos foi um gênio, um erudito, alguém sinceramente especial. Ao ano de graduá-lo ganhou uma bolsa de estudos, saiu no jornal e se foi do país. Sua mãe e sua família esperavam, e com muita razão, que deslumbrara ao mundo nos teatros. Eu também o anelava assim. Sempre me perguntei, o quê tinha sido desta criança prodígio. Quase vinte anos depois coloquei seu nome por Internet esperando encontrá-lo facilmente, já que dava por certo sua fama, mas não o encontrei. Algo passava nos planos ocultos e se tecia com os fios invisíveis dos “Anjos do Plano Divino de Perfeição”. Por esses mesmos dias ele também me procurou pela Internet. Encontrou-me e escreveu uma carta muito bonita. Ao perguntar-lhe o quê fazia, me contou parte de sua vida e me apontou que a vida o tinha levado a participar em “Cursos de Meditação Vipássana”. Disse-me: “Tão gênio, o melhor que podia fazer era desembocar em um caminho espiritual”. Como tinha terminado um longo escrito sobre Vipássana e queria escrever mais vivencia que teorias, eu decidi participar em um dos cursos que ele fazia. Ao finalizar o curso me fui a Hamburgo, onde vivia para ficar quatro dias com ele. Primeiro que nada, porque o seguia querendo a pesar dos anos que tinham passado, e junto com isso, tinha o nobre interesse de saber o quê acontece com uma criança gênio quando chega a adulto, porque já ele tinha trinta e cinco anos. Aqui veio a grande surpresa.
Entre muitas conversações que tivermos nesses deliciosos dias, me disse: “Na Alemanha comecei tomar os Cursos de Meditação Vipássana. Cansei-me de que me elogiaram, de ser quem tudo o sabia, o melhor de todas as aulas, o que deslumbrava a todos, e para me dar uma lição de humildade, decidi pegar uma bolsa em Alemanha, com um idioma que não dominava, e fazer uma carreira onde sabia que eu não ia ter facilidades. Comecei provar por primeira vez na vida o que é esforçar-se, fracassar, cair e levantar-se, não ser o melhor, não ser um gênio. Queria fazer desaparecer meu ego”. Esta vivencia de meu ex aluno me interessava profundamente, queria aprender sua lição de vida, e assim lhe perguntava mil coisas sobre diferentes aspectos do seu existir. Conversamos sobre infinidade de profundidades da música, das diferentes condutas humanas, da meditação do Buddhadharma, da vida espiritual. Entre tanto, assistíamos à ópera e ao balé de Hamburgo, caminhávamos desfrutando pelas belíssimas e pacíficas ruas, seus verdes parques e praças com um exuberante verdor que presenteava a recém inaugurada primavera. Assim transcorríamos por seu convulsionado porto fluvial, e seus lagos iluminados por um sol puro e não usual nesta zona tão regularmente fria e nebulosa. Suas respostas sobre as coisas me surpreendiam, me deleitavam; eram parecidas às que eu tinha, tendo seguido um caminho diferente ao dele e sem haver visto em anos. Entre múltiples coisas o que me chamou a atenção saber de sua relação amorosa. Tinha uma pessoa realmente bela e chamativa, e em seu círculo de amizades o felicitavam e invejavam por isso. Disse-me que não lhe interessava o sexo, não lhe chamava a atenção seu casal, que quem estava detrás dele era este ser.
Ele tinha tomado o caminho da renuncia de seu ego, a pesar de decepcionar a tantos que esperávamos que fora um gênio. No mais profundo de meu ser compreendi que tinha tomado um caminho melhor do que do êxito externo. O caminho da fama e do êxito, geralmente desemboca, ao final, em solidão, egolatria e tantas doenças da personalidade que, em um aparente êxito, é um fracasso. Melhor é negar-se e recolher-se no interior, permanecendo imperceptível diante os olhos do mundo. Um dia ensinei a carta tão bonita que tinha me mandado, posta na Internet com uma de suas fotos, e me pediu que a tirasse ou a colocara anônima, e lhe obedeci. Entendi profundamente do que se tratava. Primeira vez que neste caminho da arte em que escolhi transitar e ser docente me encontrava com um aluno que desejara ir de regresso, e cheguei à conclusão que era o “Real”, que tudo o demais é irrelevante, inconstante, transitório; dito em pali, na linguagem do Senhor Gautama, era “Anicca”, assunto que muito bem se aprende na Meditação Vipássana.



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